quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Os responsáveis das crises europeias estão no Norte, não no Sul

Vicenz Navarro*
 
Os países do Sul da Europa (Grécia, Portugal e Espanha) estão numa situação desesperada, como refletem as suas elevadas taxas de desemprego. E as previsões para que isso melhore não são animadoras. Segundo a Comissão Europeia o desemprego continuará muito alto durante a próxima década, o que quer dizer que se queimarão várias gerações.

Acontece igualmente quando vemos, em vez do nível de desemprego, o nível salarial. Os salários foram baixando cada vez mais – como parte do que se chama a desvalorização doméstica – a fim de embaratecer as exportações que, dizem-nos, nos tirarão do buraco, coisa que é obviamente falsa. Na realidade, tal como está estruturada a Eurozona, é impossível que os países do Sul possam competir com os países do Norte. Vejamos os dados.

Comecemos pela Alemanha. A economia deste país baseia-se numa enorme desvalorização doméstica (conseguida à custa de, aproximadamente, uma quarta parte da sua força laboral se encontrar em condições de grande precariedade) a fim de conseguir estimular a economia à base de exportações. Isso determina um superavit anual na sua balança por conta corrente (current-account surplus) de nada menos que 125.500 milhões de euros ao ano (média anual, desde que se estabeleceu o euro, em 1999).

É o segundo país em superavit depois da China (algo mais do que 162.000 milhões por ano). Como bem escreve Kemal Dervis no seu artigo “Northern Europe’s Drag on the World Economy” (do qual extraio a maioria dos dados deste artigo), é surpreendente que, enquanto a China está sob uma enorme pressão para que reduza tal superavit, a Alemanha fique tranquila, sem que sofra ameaças de sanções como as que sofre a China.

 
Nestas circunstâncias, é muito difícil que estes países possam sair da crise à base de exportações, ganhando em competitividade à Alemanha, pois os poderes destes países querem ganhar em competitividade mediante a baixa de salários (que está deprimindo cada vez mais a procura doméstica).

Mas a situação é contudo pior. Não é só a Alemanha que tem um superavit anual na sua balança por conta corrente, mas todos os países do Norte (Suécia, Dinamarca, Noruega e Suíça, que não têm o euro, mas definem o valor da sua moeda em relação ao euro), bem como a Áustria e a Holanda dentro da Eurozona.

Isso implica que o superavit desta Europa do Norte (cuja moeda, direta ou indiretamente, é o euro) é nada menos do que uns 406.000 milhões de euros (este ano, o da China será de 111.000 milhões), o que é um valor enorme e explica, entre outras razões, a enorme força do euro, a qual prejudica enormemente os países do Sul, pois dificulta as suas exportações.

 
Perante este panorama tão sombrio só há duas soluções. Ou sair do euro (uma possibilidade que se deveria considerar), ou fazer com que a procura doméstica dos países do Norte cresça à base do aumento dos salários dos trabalhadores do Norte. Nunca se tinha visto, de maneira tão clara, os interesses dos trabalhadores do Sul e do Norte coincidirem tanto. Mas o facto desta alternativa não estar a ser considerada deve-se ao grande domínio que o capital financeiro (que beneficia do euro forte) e o industrial (que se centra nas exportações) têm em todos aqueles países e na estrutura de governo do euro.

Daí que a aliança das classes trabalhadoras, a nível europeu, representaria uma grande ameaça aos interesses destes poderes, o que explica o seu apoio a teses racistas e chauvinistas (leia-se, a imprensa alemã e nórdica), que tentam evitar esta aliança, apresentando os trabalhadores alemães, por exemplo, como sujeitos de interesses opostos aos operários espanhóis, gregos e portugueses. Assim, claro!

 


*Vicenz Navarro é economista. Publicado em: http://www.vnavarro.org/?p=10103

Tradução: António José André

info ESQUERDA.NET 05/12/2013


Operação de troca de dívida foi "reestruturação a favor dos bancos"

A operação de troca de dívida acrescenta 1100 milhões à fatura dos juros pagos pelos contribuintes. Na Assembleia da República, Mariana Mortágua disse que tal como nas PPP e nos swaps, "a forma do Governo resolver problemas é sempre a mesma: pagar mais aos bancos".


A porta de Crato só pode ser a da saída

Cecília Honório

Desmentido pelos dados do PISA na sua campanha sobre a falta de qualidade da Escola Pública, contraditado ainda pela luta dos professores na sua inútil prova para contratados, a porta de Crato só pode ser a da saída.


Tempo de Antena sobre a crise da dívida

Tempo de antena do Bloco de Esquerda com Marisa Matias, Pedro Filipe Soares, Mariana Mortágua e Catarina Martins.


Relatório PISA chumba política de Nuno Crato

O ministro da Educação tem argumentado com o "facilitismo" da escola pública e a "liberdade de escolha" para promover o privado na Educação, tomando a Suécia como modelo. Mas os resultados do relatório de referência da OCDE arrasam por completo essas teorias.


Yuan chinês substitui o euro como segunda divisa do comércio internacional

O yuan converteu-se na segunda divisa mais usada depois do dólar no comércio internacional, ultrapassando o euro, segundo a organização de serviços para as transações financeiras Swift. Artigo de Marco Antonio Moreno.


Rendimento Básico Incondicional: uma crítica

Adriano Campos e Ricardo Moreira
Desistir da exigência do pleno emprego é anunciar a morte do direito ao trabalho.

info ESQUERDA.NET 02/12/2013


Desobedecer à Europa da troika

Mesa Nacional do Bloco de Esquerda aprova linhas de força para construir o seu programa europeu e convoca conferência nacional para fevereiro de 2014. Documento defende a reestruturação da dívida e, caso ela seja recusada, “uma moratória unilateral sobre a dívida detida pelo capital financeiro, preparando o país para todas as consequências deste caminho”.


Dossier: Professores precários

Neste dossier, o esquerda.net publica um conjunto de artigos nos quais é abordada a precarização da profissão docente, os sucessivos ataques à Escola Pública promovidos pelo governo PSD/CDS-PP e alguns dos momentos de contestação dos professores que marcaram os últimos dois anos. Dossier organizado por Mariana Carneiro.


Ciência e poder na era da austeridade

João Mineiro

O governo autoritário que hoje exerce funções em Portugal já deu luzes sobre os seus objetivos: cortar nos apoios generalizados à investigação científica e garantir que apenas tem apoios se não ousar produzir conhecimentos que deslegitimem o poder.


Angola: Rafael Marques escreve sobre voto do Parlamento português

O jornalista angolano, autor do livro "Diamantes de Sangue: Corrupção e Tortura em Angola", publicou um artigo no site Maka Angola acerca da recente rejeição pelo Parlamento português de um voto condenando o assassinato de ativistas angolanos. “[O Parlamento] foi sincero. Primeiro os negócios, o resto é conversa”, diz. Apesar de o voto ter sido chumbado, o jornalista afirma: “A iniciativa do Bloco de Esquerda, em Portugal, foi um triunfo”.


Seis banqueiros portugueses receberam um milhão de euros em 2012

Portugal ocupa a 16ª posição dos países com maior número de banqueiros que só num ano arrecadaram mais de um milhão de euros em remunerações fixas, variáveis e benefícios.


Protesto no Parlamento: "Trabalhar até à morte não"

Um grupo de cidadãos realizou um protesto nas galerias da Assembleia da República, exibindo cartazes onde se podia ler "Trabalhar até morte não".



quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O outro 23 de Novembro de 1963

 Há 50 anos, no mesmo dia em que morria Kennedy, morriam Aldous Huxley e C. S. Lewis. Um escreveu "Admirável Mundo Novo"; o outro, "As Crónicas de Nárnia". Ambos procuraram uma verdade por caminhos alternativos.



Em 1957, antes de se tornar no mais carismático presidente da história dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy foi escritor. E teve êxito: ganhou o Prémio Pulitzer com “Profiles in Courage. Mas apenas seis anos depois – há precisamente meio século – o presidente escritor morreu assassinado. A sombra do magnicidio fez com que a maioria esquecesse que nesse 22 de novembro de 1963 faleceram Aldous Huxley e Clive Staples Lewis, dois autores verdadeiramente trascendentes no mapa da literatura contemporánea.

Os seus obituários, mais pequenos que o do presidente, tardaram em sair. O primeiro, morreu na Califórnia; o segundo, em Oxford. Os dois perderam as suas mães, quando eram crianças e os dois tinham uma literatura potente e carregada de alegorias, filosofia e perguntas que parecem respostas.

Um era cristão e o outro não. Os dois eram britânicos, ainda que C.S. Lewis tenha crescido em Belfast. As experiências traumáticas também os aparentam. Pouco antes de Lewis ter participado na Primeira Guerra Mundial e carregou essa vivência para o resto da sua vida, Huxley lutou contra uma cegueira que o manteve às escuras durante quase dois anos. Em 1942, escreveria a esse respeito “A Arte de Ver”. Os caminhos de um e doutro continuaram a cruzar-se sempre. Os dois casaram-se com estrangeiras.

A enumeração dos factos não é caprichosa. As vidas de ambos refletem-se nas suas obras e, por momentos, são indivisíveis.

Quando Lewis tinha 32 anos, o seu amigo J.R.Tolkien – autor de “O Senhor dos Aneis” – convenceu-o a voltar para o cristianismo, mas não conseguiu arrastá-lo para o catolicismo; decepcionado, viu Lewis tornar-se anglicano. A sua obra mais conhecida são os sete tomos que compõem “As Crónicas de Nárnia”: uma apología cristã. Lewis acreditava que a sua obra não sobreviveria, mas nunca se tornou tão famosa como nos últimos anos, depois da sua adaptação cinematográfica. O mesmo acontece com “A Trilogía Cósmica”. Foi ensaísta, escreveu as suas memórias e foi locutor. Mas nem sempre o recordam bem. Philip Pullman, autor de “A Matéria Obscura”, apelidou os seus livros de “reacionários” e “propaganda cristã”, “descaradamente racista”. Apologista cristão, seguramente, mas nem por isso descobriram uma placa em sua honra na Abadia de Westminster.

Para falar da vida e obra de Aldous Huxley, basta falar da sua morte, que a sua última esposa – Laura Archero – detalhou numa carta ao irmão do seu esposo, Julian Huxley. “A expressão do seu rosto começava a olhar como fez cada vez que praticava a medicina moksha, quando essa imensa expressão de completa felicidade e o amor o invadia. Deixei que passasse meia hora e logo decidi dar-lhe outros 100 mg”, relata. Huxley decidiu viver essas horas numa viagem de LSD, enquanto a sua mulher recitava “O Livro Tibetano dos Mortos”.

Um certo misticismo oriental e a experimentação sensorial – que já tinha provado na sua cegueira precoce – aparecem em boa parte da sua obra. Durante as suas viagens de mescalina prévias às de LSD escreveu “As Portas da Perceção”. Muito anterior é o seu livro mais famoso – posterior a “Contraponto – Admirável Mundo Novo”, uma distopia futurista sobre o controle social. Continuou as suas viagens pela América Central e mais tarde pelo Médio Oriente. Visitou Buenos Aires e hospedou-se na casa de Victoria Ocampo. Já se tinha mudado permanentemente para os Estados Unidos,donde cultivou o seu misticismo e amizades com celebridades, tais como Charles Chaplin ou Walt Disney. Menos conhecido é “A Ilha”, a contraface de “Admirável Mundo Novo”. Em “A Ilha”, os nativos abandonam a medicina Moksha para se iluminarem. “O que sucedeu é importante, não só para os seus ente queridos como para a continuação do seu trabalho, pelo que tem import:ância para as pessoas”, escreve a sua viúva no começo dessa famosa carta.

Huxley e Lewis não eram amigos, como muitos pensam. Nem sequer há demasiados registos de que se tenham lido ou convivido. Parecem-se, sem dúvida. Os dois procuravam uma verdade sem o tom professoral de Herman Hesse. Um autor mais oportunista, Peter Kreft, imaginou um encontro entre eles e Kennedy, no Purgatório, na sua novela “Entre o Céu e o Inferno”. Quem sabe?!
 


*Guido Carelli Lynch é jornalista. Publicado em: http://www.revistaenie.clarin.com


Tradução: António José André

domingo, 1 de dezembro de 2013

info ESQUERDA.NET 28/11/2013


Professores recusam prova de avaliação e pedem demissão de Nuno Crato

Várias dezenas de professores protestaram em frente ao Ministério da Educação, em Lisboa, contra a prova de avaliação de conhecimentos e capacidades imposta pelo executivo do PSD/CDS-PP e exigiram a demissão de Nuno Crato. Fenprof apelou esta quarta feira aos docentes do quadro para aderirem à greve de dia 18 de dezembro.


25 maiores fortunas de Portugal equivalem a 10% do PIB

Américo Amorim duplicou a sua fortuna e volta a ser apontado como o homem mais rico de Portugal. Este ano, as 25 maiores fortunas do país perfazem 16,7 mil milhões de euros, segundo avança a revista Exame.
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Assunção Esteves defende que protestos no Parlamento são “crime público”

Assunção Esteves, Presidente da Assembleia da República, considera os protestos nas galerias do Parlamento um “crime público” e “uma ofensa à democracia”, estando a efetuar um estudo comparado sobre o acesso público às instituições parlamentares nos diversos países. O Bloco já deixou claro que se opõe a alterações que restrinjam o acesso às galerias do Parlamento..
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Poupem-nos!


Pedro Rodrigues
Os portugueses não só são dos europeus que menos participam em atividades culturais como o fazem hoje menos do que há seis anos. O “Público” foi ouvir antigos e atuais responsáveis pelas políticas culturais. O resultado é um descarado e coletivo exercício de auto-desresponsabilização. 
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"Há 500.000 pessoas sem subsídio de desemprego, mas pagamos 1.645 milhões para as PPP”


A deputada Mariana Mortágua denuncia as escolhas do governo no OE para 2014: “Não há dinheiro para salários, mas entregam-se 1.000 milhões para cancelar contratos especulativos. Não há dinheiro para pensões mas entregam-se 700 milhões ao Banif e esses nem entram para défice.” 
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Moçambique: exército invade casas para recrutar jovens à força para a guerra


Jovens moçambicanos têm sido surpreendidos nas suas casas e bairros pelas Forças Armadas de Moçambique. Pais temem que os seus filhos estejam a ser recrutados para combater na guerra que assola a região centro do país. (atualizada às 16:00) 
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1 de dezembro
Formação SOS Racismo na Tocha
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Tocha.