sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O que não se disse sobre Martin Luther King

Vicenç Navarro*

Este artigo assinala os silêncios sobre Martin Luther King nos maiores meios de comunicação a fim de minimizar o carácter socialista da sua análise e as propostas de mudança nos EUA.

A propósito do quinquagésimo aniversário da Marcha de Washington, onde o Reverendo Martin Luther King fez p seu famoso discurso “Eu tenho um sonho” (I Have a Dream), escreveram-se muitas reportagens sobre aquela marcha e sobre Martin Luther King, referindo-se a este último como uma figura inspiradora que, atuando como a consciência da nação norte-americana, exigiu àquela sociedade o fim da discriminação contra a população negra, de origem africana. É difícil ver ou ouvir aquele discurso sem o relacionar com a sua causa.

Esta imagem inspiradora de Martin Luther King foi construída à custa de esquecer e fazer esquecer o outro Martin Luther King, o Martin Luther King verdadeiro, que via esta discriminação como resultado de umas relações de poder baseadas numa exploração, não só de raça, mas também de classe social. Silenciou-se que Martin Luther King (a partir de agora MLK) era um socialista que, sem dúvidas algumas, foi muito crítico para com as sucessivas políticas, tanto domésticas como internacionais, levadas a cabo durante todos estos anos pelos governos federais, incluindo a Administração Obama.

MLK esteve contra a guerra do Vietname, como teria estado contra as guerras do Iraque e do Afeganistão, e não só pelo seu pacifismo, mas também pelo seu antimilitarismo e anti-imperialismo. Definiu o governo dos EUA como “o agente máximo da violência hoje no mundo… gastando mais com instrumentos de morte e destruição que em programas sociais vitais para as classes populares do país”. Era profundamente anticapitalista, como consta no seu discurso de que “deveríamos denunciar aqueles que resistem a perder os seus privilégios e prazeres que provêm dos benefícios adquiridos dos seus investimentos, ganhando a sua riqueza através da exploração”.

E, em 1967, condenou com contundência os três diabos que – em seu parecer - “caracterizavam o sistema de poder norte-americano, a saber, o racismo, a exploração económica e o militarismo”, acentuando que “as mesmas forças que conseguem enormes benefícios através das guerras são as responsáveis pela enorme pobreza no nosso país” (todas estas notas procedem do excelente artigo de Michael Parenti “I Have a Dream, a Blurred Vision”, 29.08.13).

E o seu último discurso, de apoio às reivindicações dos trabalhadores dos serviços de saneamento que estavam em greve, findou com a famosa frase de que “a luta central nos EUA é a luta de classes”. Duas semanas mais tarde foi assassinado, sem que nunca se tenha esclarecido tal facto. Um fugitivo da prisão de Missouri, James Earl Ray, foi acusado do assassinato. Foi detido no aeroporto de Heathrow, em Londres, com grande quantidade de dinheiro em sua posse. Nunca se esclareceu quem lhe deu esse dinheiro.

MLK foi um socialista radical na sua análise e nas suas propostas.

Uma coisa é que MLK foi a consciência dos EUA, exigindo que não se discriminassem os negros, petição com um forte conteúdo moral à qual era difícil opor-se. Mas outra coisa muito distinta e ameaçante para a estrutura de poder era sublinhar que a origem da pobreza e da discriminação (que inclui também amplos sectores da classe trabalhadora branca, para além da negra, pois a maioria de pobres nos EUA são brancos) requer uma mudança revolucionária (por muito não violento que seja) das estruturas capitalistas daquele país. E a eleição do Presidente Obama prova, precisamente, a certeza do diagnóstico de MLK. Hoje, o Presidente dos EUA é um afro-americano e, não haja nenhuma dúvida, é um grande avanço. Mas a pobreza entre negros (e entre brancos), nos EUA, não mudou desde então.

Daí a enorme hostilidade do establishment norte-americano, na qual a Policia Federal, o FBI, foi um elemento chave. Dirigida por uma das figuras mais nefastas da história dos EUA, J. Edgar Hoover (definido pelo famoso jornalista Russell Baker, do New York Times, como um “tirano patético”) tentara convencer o Fiscal Geral do Estado Federal, Robert Kennedy, “que o cérebro dos negros era vinte e cinco por cento mais pequeno que o dos brancos”. Era politicamente próximo do senador segregacionista da Carolina do Sul, Strom Thurmond, tentando por todos os meios desacreditar o movimento anti-segregacionista e os seus dirigentes, grande número dos quais eram socialistas e comunistas.

Na realidade, foram os sindicatos, e muito particularmente, o sindicato do automóvel, o UAW (United Automobile Workers) que financiaram em grande parte a tal marcha. E à esquerda de MLK na marcha estava Walter Reuther, seu secretário-geral, socialista e branco. Uma terça parte dos quatro milhões que participaram na marcha de Washington eram brancos, grande número deles sindicalistas e membros de partidos de esquerda. O slogan da marcha era “liberdade, justiça e trabalho”. E o organizador da marcha, Asa Philip Randolph, era o sindicalista afro-americano mais conhecido nos EUA, dirigente do sindicato ferroviário (Paul Le Blanc, “Revolutionary Road, Partial Victory. The March on Washington for Jobs and Freedom”, Monthly Review, Sept 2013).

E quando o Presidente Kennedy, a instâncias de Hoover, chefe do FBI, pôs como condição para apoiar a marcha, que fossem despedidos da liderança aqueles radicais, MLK negou-se. A pressão da rua era tal que o Presidente Kennedy decidiu à última hora apoiar a marcha, recebendo MLK na Casa Branca. E o bispo católico de Washington, Patrick O’Boyle, ameaçou não participar na marcha a não ser que os discursos (que tinham sido distribuídos antecipadamente) fossem moderados.

Últimas observações. Em 1986, o dia do nascimento de MLK foi declarado como festa nacional anual. Mas nesta captura da imagem popular de MLK foi transformada deliberadamente a sua mensagem e figura para reciclá-lo como figura inspiradora, consciência do país, a favor dos direitos civis da população afro-americana (com especial finca-pé no seu poder de votar), esquecendo-se deliberadamente do MLK verdadeiro, que pediu uma mudança profunda, não só nas relações de raça, mas também de classe social. Desta última não se fala.

A história repete-se: as campanhas de Jesse Jackson

Eu tive a oportunidade de experimentar uma situação parecida durante a minha participação na campanha eleitoral do Reverendo Jesse Jackson (que estava com MLK quando foi assassinado), nas primárias para a eleição do candidato presidencial do Partido Democrata. Em resposta ao seu convite, fui assessor especial, na sua campanha de 1984, e mais tarde na de 1988. Em 1984, e contra os meus conselhos, apresentou-se como a voz da minoria negra, exigindo a sua incorporação na sociedade americana. Naquela campanha, o establishment liberal norte-americano (cujo maior porta-voz era e é The New York Times) escreveu um editorial enormemente positivo acerca da sua candidatura. A razão por que eu o desaconselhara dessa estratégia era fácil de entender. Um representante dos interesses de uma minoria dificilmente poderia alcançar o apoio maioritário da população votante. 

Apresentar-se como candidato de uma minoria defendendo primordialmente os interesses dessa minoria, não era a melhor maneira de ganhar o apoio da maioria, para ser Presidente dos EUA.

Em 1988, não se apresentou como a consciência dos EUA ou a voz dos negros, mas a voz da classe trabalhadora dos EUA. E quando os meios de comunicação lhe perguntaram como ele – negro - obteria o voto do trabalhador branco, contestou: “fazendo-lhe ver que tem mais em comum com um operário negro, por ser operário, que com o seu patrão (boss) que seja branco”. Quando se somam todas as cores (negro, branco, amarelo, cinzento, etc.) a classe trabalhadora dos EUA é a maioria da população. Num discurso de classe, mobilizou as bases do Partido Democrata (que estão mais à esquerda que a sua direção), e conseguiu 40% de todos os delegados no congresso do Partido Democrata. Nunca antes, nem depois, as esquerdas nos EUA tiveram tanto poder desde os anos 50. The New York Times escreveu um editorial muito negativo dizendo que Jesse Jackson, em caso de ser eleito, destruiria os EUA. Quer dizer, os seus EUA.

A lição desta situação é clara. A estrutura de poder deriva da enorme influência do seu poder de classe (assim como de género e raça). E não permite que se toque nesse poder, absorvendo as legítimas vontades do fim da discriminação de género e raça, reciclando-as (incluindo elementos dos tais grupos discriminados dentro da estrutura de poder) para as poder adaptar à estrutura social dominante. Existe hoje um Presidente afro-americano e uma classe média negra que não existia antes, o que é motivo de celebração. Mas o nível de vida da maioria de negros e brancos (pertencentes à classe trabalhadora) não melhorou durante todo este período.

* Vicenz navarro - Catedrático de Economia Aplicada na Universidade de Barcelona. Foi também professor de Políticas Públicas na Universidade Johns Hopkins (Baltimore, EUA), onde exerceu docência durante 35 anos. 

Tradução: António José And

info ESQUERDA.NET 02/09/2013


Semedo apresenta propostas do Bloco e diz que segundo resgate é obra "de Passos e Portas”

No encerramento do Fórum Socialismo 2013, o coordenador do Bloco de Esquerda anunciou que o partido vai propor o aumento do salário mínimo, o alargamento do subsídio de desemprego e um programa de reabilitação urbana. Semedo considerou ainda que um segundo resgate a Portugal será da responsabilidade de Passos Coelho e Paulo Portas pela "brutal austeridade" que impuseram ao país.



Obama anuncia que EUA vão atacar a Síria – Bloco condena

O prémio Nobel da Paz 2009 anunciou neste sábado que decidiu que os Estados Unidos vão atacar militarmente a Síria, sem tropas no terreno. Obama declarou também que vai requerer a aprovação do Congresso e que o ataque pode ser “amanhã, na próxima semana ou no próximo mês”. O Bloco condena a decisão de Obama, tendo José Manuel Pureza frisado que “não há ‘tomahawks’ com intenções humanitárias”.


Passos Coelho volta a atacar o Tribunal Constitucional

No encerramento da universidade de verão do PSD, Passos Coelho voltou a atacar violentamente o Tribunal Constitucional (TC) considerado que os chumbos deste se devem à “interpretação que os juízes do TC fazem da Constituição” e, numa extrema pressão sobre os juízes daquele órgão de soberania, exigiu-lhes “bom senso”.


A guerra é a guerra

José Manuel Pureza

Tal como na Líbia e no Afeganistão, o envolvimento ocidental na guerra civil na Síria não tem outro propósito senão o de alterar o equilíbrio de forças no terreno e dar aos rebeldes a força que eles, por si sós, não são capazes de conquistar.



"Porque é que o piropo é machista?"

Intervenção de Adriana Lopera, no painel "Engole o teu piropo", Fórum Socialismo 2013. O assédio só pode estar enquadrado na área na violência contra as mulheres, portanto da violência de género ou a violência machista, e é analisado como mais uma demonstração da relação de poder que a sociedade patriarcal estabelece.


Colômbia: Paralisação nacional dura há 13 dias

Uma paralisação nacional decorre na Colômbia desde o dia 19 de agosto. Nela participam as principais organizações camponesas, mineiros, trabalhadores da saúde e da educação e tem o apoio das centrais sindicais. As reivindicações têm um ponto comum: a recusa da política neoliberal do governo e a rejeição do tratado de livre comércio com os EUA. O presidente Juan Manuel Santos responde com repressão, com a militarização de Bogotá, enquanto anuncia um futuro “pacto nacional agrário”.


Dick Cheney ganhou contratos de 39.500 milhões de dólares na guerra do Iraque

Se a guerra do Iraque foi um escândalo em termos de corrupção política, também o foi em termos financeiros dado que favoreceu de forma abusiva as empresas que apoiavam e financiavam o governo de Bush. Por Marco Antonio Moreno.



quarta-feira, 4 de setembro de 2013

As Freguesias

Como todos sabem, ao longo dos últimos anos a gestão das nossas freguesias tem sido feita apenas para preservação das mesmas, não se vislumbrando qualquer tipo de obra, evento ou benefício relevante para a comunidade.
Como se pode observar até a manutenção que é feita a nível dos espaços, caminhos rurais ou edifícios é feita de forma rudimentar. Por exemplo, nos caminhos rurais apenas é despejado touvenant de má qualidade (demasiado limpo ou sem barro) que não é devidamente compactado  e dá origem à degradação continuada no tempo de chuvas.
Os espaços propriedade das Juntas ou sob sua administração não são preservados ou mantidos como propriedade pública, antes parecem estar ao abandono.
O edifício, que foi a primeira sede da Junta de Freguesia de Vila Seca, encontra-se nas mesmas condições em que se encontrava à trinta anos, não tendo sequer uma casa de banho.
Os caminhos florestais estão na sua maioria completamente intransitáveis para qualquer máquina agrícola de pequeno porte (como o são a maioria das máquinas agrícolas dos nossos cidadãos) ou carros de bombeiros, impossibilitando o acesso a grandes áreas de pinhal das nossas freguesias. Por exemplo os caminhos de Bruscos ao Alto dos Barreiros ou o caminho dos Tanques da Água ao Lagar da Mata não permitem a passagem de qualquer meio terrestre de combate a incêndios florestais.
É precisa uma Junta de Freguesia conhecedora do espaço, da realidade e das necessidades da União das Freguesias de Vila Seca e Bem da Fé.

Jorge Mateus

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Quem Somos!

União das Freguesias de Vila Seca e Bem da Fé
Colectivo das nossas aldeias

 APROXIMAR - UNIR - DESENVOLVER


Jorge Manuel Mateus Alves

Casado, 51 anos, Guarda Prisional, residente em Bruscos.

Militante do Bloco de Esquerda, membro da Comissão Política Distrital do Bloco de Esquerda de Coimbra.



Elizabete da Conceição dos Santos Matias Maia

Casada, 39 anos, Desempregada, residente em Alcouce.

Militante do Bloco de Esquerda.



Tiago Avelino Mendes Acúrcio

Casado, 26 anos, Empregado de Restauração, residente em Bruscos.

Militante do Bloco de Esquerda, membro da Coordenadora Distrital de Jovens do Bloco de Esquerda de Coimbra.



Paula Cristina Batista dos Santos

Divorciada, 48 anos, Professora Primária, residente em Bruscos.

Independente.



Hélder Febra Oliveira

Casado, 60 anos, Aposentado, residente em Casal dos Balaus.

Independente.




Rúben da Silva Ferreira

Solteiro, 22 anos, Estudante, residente em Bem da Fé, membro da Assembleia de Freguesia de Bem da Fé.

Independente.
Maria Fernanda Henriques dos Santos Ferreira

Divorciada, 48 anos, Auxiliar de Ação Médica, residente em Bem da Fé, membro da Assembleia de Freguesia de Bem da Fé.

Independente.



Jaime de Jesus Tomaz Maia

Divorciado, 44 anos, Pintor Auto, residente em Bruscos.

Independente.



Bruno Miguel Ferreira dos Santos

Solteiro, 24 anos, Administrativo, residente em Bruscos, membro da Direção do C. C. R. Bruscos.

Independente.



Ana Filipa China Vicente Loureiro

Solteira, 28 anos, Assistente Administrativa, residente em Alcouce, membro da Direção da A. C. D. Alcouce. 

Militante do Bloco de Esquerda.



Vasco Águas da Silva Brito Ferreira

Casado, 45 anos, Reparador Auto, residente em Alcouce.

Independente.



José da Costa Loreto

Divorciado, 42 anos, Desempregado, residente em Bruscos.

Independente.



Sofia Margarida China Vicente Loureiro

Solteira, 21 anos, Desempregada, residente em Alcouce.

Militante do Bloco de Esquerda.



Luís Filipe Bio Maia

Casado, 39 anos, Desempregado, residente em Alcouce.

Militante do Bloco de Esquerda.

domingo, 1 de setembro de 2013

A Abstenção nas Assembleias de Freguesia

Após o jogo Sporting - Benfica debateu-se o abstencionismo dos eleitos nas Assembleias de Freguesia: 

Dois cabeças de lista às próximas eleições autárquicas à união de freguesias de Vila Seca e Bem da Fé falaram sobre a atuação das oposições nas Assembleias de Freguesia.

Qual é a vossa opinião:

A abstenção é sinónimo de concordar ou discordar?


Partindo do pressuposto de que o ator político é um SER PENSANTE e não apenas um número que está a fazer figura de corpo presente.




imagem de: www.itevaldo.com