sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Bicicletas

Antonio Crespo Massieu*


Acaba de findar a Tour de France, neste ano do seu centenário. Um século no qual o ciclismo, o desporto em geral, a história, a política, o negócio… pedalaram juntos e, em demasiadas ocasiões, se confundiram  Talvez desde sempre. Terreno resvaladiço onde o ciclista é utilizado pelo poder e não chegamos a saber em que medida é vítima ou consente essa manipulação.

A história que vou contar, e peço desculpas a quem já a conheça, tem a ver com essa zona cinzenta do desporto e também com o mais nobre que possa ter o ciclismo e os seres humanos. É a história de Gino Bartali, um dos melhores ciclistas da história, e, juntamente com Fausto Coppi, o maior dos italianos. Os dois ganharam 8 Giros e 4 Tours, no período 1936-1953. Isto tendo em conta que, de 1940 a 1946, não houve competições desportivas por causa da Guerra Mundial.

Nascido em 1914 numa povoação da Toscana, Bartali é homem de profundas convicções católicas e ideias políticas bem conservadoras. Nesta oposição entre os dois ciclistas – tão querida e fomentada pela imprensa desportiva, similar à que mais tarde enfrentaria Bahamontes e Ocaña ou Anquetil e Poulidor…- Coppi aparece como o representante das ideias de esquerda, a Itália das grandes cidades do Norte, nada religioso e, além disso, bonito, simpático, mesmo que imprevisível, melancólico e demasiado intuitivo ou submetido a fugas inspiradas em cima da bicicleta. Face a ele Bartali é, ou assim é apresentado, um católico conservador, de origem camponesa, feio ou pelo menos não tão atrativo como Coppi, tradicional na sua maneira de correr, um pouco rude ainda que atraia a simpatia das pessoas. Servindo o esteriótipo a luta entre os dois foi encarniçada ou, pelo menos, isso dizia a imprensa.

Para a história da Tour de France fica uma famosa fotografia na qual, em plena ascensão, nos Alpes, um dos dois aproxima do seu rival uma garrafa de água. A beleza da foto é o enigma: por muito que se olhe é impossível saber se é Coppi que passa a garrafa a Bartali ou este que a estende. A foto capta só o momento em que as duas mãos passam  a garrafa de água, o instante da ajuda mutua que evita o desfalecimento. Supostamente, nenhum dos dois disse quem passou a água a quem. É um dos pequenos mistérios desta história. Está a foto e está, desmentindo tópicos, a amizade nascida entre os dois e a dor do amigo quando Coppi morre, em 1960, ao perecer de uma malária mal tratada.

E está a história, a política, o fascismo. Em 1938, Bartali corre na Tour e Mussolini ordena-lhe que ganhe. Consegue-o: é a sua primeira Tour. O Duce exibe orgulhoso o triunfo, o ciclista, o “homem de ferro”, assim era apodado, vem a converter-se em símbolo ou emblema do fascismo. Ele não faz nada para o evitar. Limita-se, nos anos da guerra, durante os quais as competições ciclistas foram suspensas, a treinar-se. Percorre incansavelmente as estradas e caminhos da Toscana, com paragens frequentes em igrejas, conventos, abadias – todo o mundo conhece o seu fervoroso catolicismo - escala postos fronteiriços  não para de fazer quilómetros; supostamente, atravessa todos os controles, os carabinieri não o param o se o fazem é para o saudar e recordar as suas vitórias; nem sequer as camisas negras da República de Saló o interrogam ou duvidam da sua palavra. É uma lenda viva, condecorado pelo Duce, exemplo do desporto na nova Itália do Fascio.

Este constante treino permite-lhe estar en forma e ganar a Tour quando esta regressa, em 1948; é o único ciclista na história que ganhou duas Tours com dez anos de diferença. E, nesta segunda Tour, também a história e a política fazem pedalar o grande Bartali.

Itália, 1946, realizam-se eleições. A Democracia Cristã ganhou com 35% dos votos, o Partido Socialista obteve 20% e o Comunista 19%. De Gasperi forma um governo no qual há alguns ministros socialistas e comunistas - Palmiro Togliati é Ministro da Justiça.

Em 1948, a Checoslováquia passa a ser controlada pelo Partido Comunista; a guerra fria está no seu apogeu. E De Gasperi, preante as pressões do presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, exclui socialistas e comunistas do governo, procedendo à confiscação de armas que estavam em poder de antigos guerrilheiros e convoca novas eleições. O PSI e o PCI juntam as suas forças. Recordemos que somando as suas percentagens tinham obtido mais votos do que a DC nas anteriores eleições, e se apresentam unidos sob as siglas da Frente Democrática Popular.

A campanha desencadeada pelos Estados Unidos e a CIA para evitar o triunfo da esquerda é arrasadora. São enviados mais de 10 milhões de cartas de apoio à DC, na sua maioria de ítalo-americanos; algumas dessas assinaturas são falsificadas. O clima é de uma enorme tensão. O resultado das eleições é o triunfo da DC de De Gasperi com uns folgados 48% de votos frente a uns 31% da FDP. O fantasma de um governo de esquerda, com a participação do PCI, fica definitivamente excluído da política italiana.

Neste ambiente, não distante de uma possível confrontação armada, corre-se na Tour. E Gino Bartali recebe uma chamada: é Alcide De Gasperi que lhe pede - agora é uma súplica, não é uma ordem ou comando do Duce; entre eles existe uma certa amizade - que ganhe uma etapa na Tour, que Itália necessita disso, que a capa dos jornais tem que ter esse triunfo e não as noticias políticas.

O ciclista disse que sim, que o fará. E não só ganha no dia seguinte a etapa, como também a Tour. A segunda que conquista e um novo tributo que paga com o seu esforço  à política do seu país: primeiro ao fascismo e agora à “normalização democrática”; se bem neste caso sem reticências dada a sua proximidade com o partido de De Gasperi. E assim o perfil conservador deste grande ciclista perfila-se ainda mais: próximo do fascismo, fiel à Democracia Cristã e sempre perto das sotainas da Igreja.

Assim estava escrita a história, mas entre as dobradiças do evidente, ao arrepio do relato estabelecido, quase sempre se esconde outra verdade. Que esta apareça ou não depende de muitos fatores, um deles, e não o mais desdenhável, o azar. No ano 2000, Piero Nissin (1), arrumando a casa familiar, encontra uma caixa com documentos do seu pai Giorgio, falecido três anos antes. Examina detalhadamente os papeis e perante os seus olhos vai aparecendo uma rede da Resistência criada, entre outros, pelo seu pai.

O objetivo: expedir passaportes falsos e ajudar judeus a fugir da Itália fascista. A rede tem toda uma série de tipografias clandestinas em igrejas e conventos da Toscana, mas é  preciso levar as fotos e os impressos necessários. Disso se encarrega, e a surpresa de Piero deve ter sido gigantesca quando descobre, Gino Bartali. É ele que no interior de um dos tubos do quadro da sua bicicleta faz de mensageiro. Todos os dados estão na caixa que Piero encontra e o surpreendente número de 800 passaportes falsos, 800 pessoas escapadas, 800 vidas salvas graças ao ciclista Gino Bartali.

E o mais surpreendente é que nem Giorgo Nissin, italiano e judeu sobrevivente do fascismo, disse nada desta rede de resistência, nem tão pouco Bartali falou dela e manteve, ao longo da sua vida, a fama de ter simpatizado com o fascismo. Gino Bartali morreu, em 2000, no mesmo ano em que este outro lado da história começa a desvelar-se, antes de se conhecer o seu trabalho na Resistência. E pensar que pouco lhe importava, pelo menos sobre estas questões realmente importantes, a opinião dos demais. Tinha afirmado: “As coisas que se fazem por desporto são como medalhas que se colocam na camisa. As coisas que se fazem porque nelas acreditas, guarda-as dentro toda a tua vida”.

A bicicleta de Bartali percorreu estradas e caminhos nos anos mais obscuros. Aquela que é evocada num dos poemas mais belos, escritos por Guadalupe Grande: “Tudo gira e dança entre os raios da bicicleta: é verão, é 1946” É quem torna possível a futura felicidade, é quem leva “A tinta invisível da salvação”, que convoca a assembleia dos 800: “Não é o ciclista que viaja sobre as rodas do animal, é a assembleia dos 800, a sinagoga (…) dizendo não aos belfos da dignidade e aos cordões de Primo Levi.”

E esta bicicleta traz à memória as centenas ou milhares de bicicletas que escondem panfletos, armas, papeis, na Itália daqueles anos, as que vimos, com as quais pedalamos com medo e angústia, em Roma Cidade Aberta de Rossellini ou aquelas que percorrem a Ferrara fascista, negra, provinciana, antissemita e cobarde das novelas de Giorgio Bassani. Vemos este homem silencioso, um pouco rude, que leva dentro, muito dentro, uma das coisas importantes que fez e no quadro da sua bicicleta o compromisso com a dignidade, pedalando na noite aterradora do fascismo; fazendo algo em que acredita e que, por isso, permanecerá no seu interior. Nem pode, nem quer reclamar medalha alguma porque não é uma coisa feita por desporto. É singelamente o que há que fazer. Neste caso, ainda que pedale solitariamente, Bartali sabe que é mais um do pelotão.

Não é demais recordar, neste ano em que se cumpre um século da corrida ciclista mais importante, e reparar nestas ironias e surpresas da história. Não acreditar demasiado nas verdades estabelecidas, nos relatos unívocos e sem sombras. Desconfiar das medalhas e olhar mais de perto o pelotão. São as bicicletas que avançam ao arrepio da história e do progresso, que não competem, que resistem e se ajudam, que arriscam. Entre elas ocupa um lugar especial aquela que guardava fotos e passaportes falsos no quadro. A bicicleta de Gino Bartali.


* Antonio Crespo Massieu - (Madrid, 1951) é Licenciado em Filosofia e Letras (Filologia Hispânica) pela Universidade Complutense e Diplomado em Estudos Portugueses pela Universidade de Lisboa; é professor de literatura espanhola no Ensino Secundário e tem publicado vários poemários, trabalhos de investigação e de criação literária em diversas revistas. 


Tradução:  António José André



info ESQUERDA.NET 16/08/2013


Egito: Objetivo do Exército é acabar com a Revolução

O brutal massacre que o Exército e a polícia estão a cometer é um ensaio geral sangrento para a liquidação da Revolução Egípcia. O seu alvo é quebrar a vontade revolucionária de todos os egípcios que lutam pelos seus direitos, afirmam os Socialistas Revolucionários egípcios.



Passos Coelho prometeu recuperação económica que nunca aconteceu, acusa o Bloco

A coordenadora do Bloco de Esquerda acusou, na quarta-feira num comício em Quarteira, o primeiro-ministro de todos os anos anunciar, no Pontal, a recuperação económica “que nunca aconteceu” e instou a população a ir à festa do PSD pedir esclarecimentos.


Resposta à declaração de Bradley Manning, hoje

Os jornais informam que Bradley Manning fez hoje uma declaração de arrependimento, em audiência para sentença, em Fort Meade, Maryland. A declaração de Manning surge no fim de um tribunal marcial, no qual os procuradores atuaram com fúria sem precedentes. Por Wikileaks.


Moita Flores usa meios da autarquia de Santarém para fazer campanha em Oeiras

O Bloco de Esquerda entregou hoje um requerimento ao atual Presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves, sobre o uso de viaturas e despesas de representação pagas pela autarquia e pela empresa municipal Águas de Santarém a Moita Flores e João Leite, atual vereador do PSD.


Cónego Melo: o PS não diz nada?

Fabian Figueiredo

O sermão da força democrática, que tanto gosta de dar repetidamente à sua esquerda, ficou-se pelo silêncio cúmplice?



Novo outdoor feito pelos artistas do Porto

Apresentação de mais um outdoor da campanha "E se virássemos o Porto ao contrário", feito a partir do desafio a vários artistas da cidade. No Jardim do Calém, Go Mes, com o apoio de Bent, Bac e outros amigos, escolheram o mote "Devolver o Porto às pessoas".


Os Poetas n' Os Cantos da casa

Os Poetas. Autografia, 2013.
O Baú. Achega-te, 2012.

Pedro Barroso. Lutas velhas, canto novo, 1976.
UHF. Ao Norte unplugged, 2012.
Edição nº 164, de 14 de agosto de 2013


17 de agosto
Sessão Autárquicas 2013
Com Catarina Martins, Cecília Honório, João Vasconcelos.

Ver cartaz.
Portimão, Pç. Manuel Teixeira Gomes (frente à Casa Inglesa), 21h.


19 de agosto
Cinema ao ar livre: Verão de 42

De Robert Mulligan, 1971, 103 min.


LisboaCasa da Achada21h30.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Inscrição e programa Fórum Socialismo 2013 - Novas Ideias para a Esquerda

NOVAS IDEIAS PARA A ESQUERDA
FÓRUM SOCIALISMO 2013
30 e 31 de agosto
Escola Secundária Camões – Praça José Fontana
ENTRADA LIVRE – INSCREVE-TE JÁ

O Fórum Socialismo 2013 - Novas Ideias para a Esquerda vai decorrer nos próximos dias 30 e 31 de Agosto em Lisboa, na Escola Secundária Camões. Esta 7ª edição traz-nos debates sobre ambiente, economia, história, cultura, lutas internacionais e LGBT, mas também sobre a crise, a austeridade e sobre o combate ao Governo da Troika.

A entrada é livre, a participação também.

Inscreve-te já e envia os seguintes dados para este e-mail:
Nome:
E-mail:
Distrito:
Telemóvel:
Transporte - autocarro Porto, 5€ ida/volta (outros locais em estudo mediante nº inscrições)


Alojamento gratuito (ginásio):
Alojamento solidário:

Inscrição para almoço e jantar dia 31 de Agosto (2,5€/cada, com opção vegetariana)
Almoço ____ Jantar ____

info ESQUERDA.NET 12/08/2013


Cidadãos de Braga convocam protesto contra estátua do cónego Melo

Um grupo de cidadãos de Braga marcou para esta segunda-feira uma concentração de repúdio pela colocação, naquela cidade, de uma estátua ao cónego Melo, considerando que se trata de “um ataque à memória dos que contribuíram para a instauração da liberdade”.


Dossier: Egito, revolução e golpe de Estado

Na noite de 03/07/2013, o Exército anunciou a deposição do presidente Mohammad Morsi, contestado por grandes manifestações. O presidente foi detido, órgãos de comunicação ligados à Irmandade Muçulmana fechados e as forças repressivas mataram dezenas em manifestações pró-Morsi. Que aconteceu? Neste dossier, coordenado por Luis Leiria, procuramos contribuir para a compreensão do rumo que o Egito está a seguir.


Protesto à porta da casa de férias de Passos Coelho no Algarve

Um conjunto de cidadãos respondeu ao apelo da Comissão de Utentes da Via do Infante (A22) e aderiram ao protesto contra as portagens junto à casa de férias de Pedro Passos Coelho, na Manta Rota, no Algarve.


Angola: pedida a destituição do vice-presidente da República

Jornalista Rafael Marques apresenta queixa-crime à Procuradoria-Geral da República de Angola contra Manuel Domingos Vicente, por acumular funções públicas e privadas, nomeadamente a de diretor na China-Sonangol International Holding Limited, uma empresa privada chinesa, o que é proibido pela Constituição.


Benefício de Rui Machete é insulto aos portugueses que estão a pagar buraco do BPN

João Semedo recorda que parte do buraco do BPN é devido aos esquemas de compras e vendas de favor, como o que deu mais valias de 150% ao atual ministro dos Negócios Estrangeiros. E reafirma que ele deve ser demitido.


Quem tem medo da limitação de mandatos?

João Mineiro

A política não é uma profissão. É uma pena que nem todos pensem assim.


Greve no setor do calçado - São João da Madeira, 1943

Há 70 anos, mais de 2.500 operários do setor do calçado de São João da Madeira entraram em greve. A corajosa luta foi a 5 de agosto de 1943, e para além da greve realizou-se uma manifestação que terá juntado 4.000 trabalhadores e trabalhadoras. Os trabalhadores exigiam aumentos salariais, num ano de fome, miséria e grande repressão.


14 de agosto
Sessão Autárquicas 2013
Com Catarina Martins, Pedro Filipe Soares e Joaquim Mealha.
Ver cartaz.

Quarteira, Av. Infante Sagres (Calçadão, junto ao hotel S. José), 21h30.

16 de agosto
Sessão Autárquicas 2013
Com Catarina Martins, Cecília Honório e David Marques.
Ver cartaz.
Armação de Pêra, Avenida Beira-Mar, 21h30.


17 de agosto
Sessão Autárquicas 2013
Com Catarina Martins, Cecília Honório, João Vasconcelos.
Ver cartaz.



Portimão, Pç. Manuel Teixeira Gomes (frente à Casa Inglesa), 21h.

E vão sete... Dinos!

COERÊNCIA COMEÇA A PAGAR DIVIDENDOS

São do conhecimento público, mas não e demais realçar a importância das primeiras decisões judiciais sobre os “dinos” cuja impugnação tem vindo a ser requerida pelo Bloco... e são já algumas dezenas! 

A primeira decisão foi assumida pelo tribunal de Santa Maria da Feira que decretou a inelegibilidade de um “dino”, de seu nome Leão, que tentou aproveitar as “uniões” de freguesias impostas pelo Relvas para se recandidatar, a pretexto de que se trata de uma nova entidade.

Como temos defendido, a lei de limitação de mandatos incide sobre a função de presidente de um órgão executivo e não sobre o local onde a mesma foi exercida. Nestes casos, a chico-espertice é ainda mais descarada, pois nem se dão ao trabalho de mudar de freguesia (ou de concelho), o que mudou foi apenas o nome, fruto da tal “união” involuntária...

Notável foi a decisão da juíza de Vila Nova de Gaia que, por iniciativa própria, decretou a inelegibilidade de seis “dinos”, com uma argumentação poderosa que o Bloco não desdenharia:
conjugando a Constituição com a Lei de Limitação de Mandatos, "o sentido desta norma só pode ser o de proibir a candidatura a qualquer órgão executivo autárquico e não apenas naquele onde foram cumpridos os três mandatos sucessivos."

São apenas as primeiras decisões e relativas a “dinos” de freguesia. Falta ainda a ”caça grossa”, em municípios com o peso político de Lisboa, Porto e várias capitais de distrito, cujas decisões começarão a ser tornadas públicas na próxima semana. De todas haverá recursos que irão acabar no T. Constitucional, sejam favoráveis ou desfavoráveis aos “dinos”.

Mas o significado destas primeiras vitórias merece ser sublinhado. É que, apesar de todas as pressões que por aí virão, a coerência em política começa a construir jurisprudência. 


 Alberto Matos