terça-feira, 6 de dezembro de 2011

10 de Dezembro - Dia Universal dos Direitos Humanos

Vídeos | Tertúlia | Performances | Concursos | Festa Fora do Armário
17 horas | Pop Fresh
17h00
5 Videos
Tertúlia
Dinâmica teatral
Desenho a Concurso

Com a Secção de Defesa dos Dir
eitos Humanos /AAC

23h30

Festa Fora do Armário

00h30

Oferta de 1 convite duplo para o novo Espectáculo da Escola da Noite "Animais Nocturnos" http://weblog.aescoladanoite.pt/

Dj Set (o regresso):

Dj Pau - https://www.facebook.com/Dj00Pau
Lu França - https://www.facebook.com/lu.franca.lf
Le Cirque Du Freak - https://www.facebook.com/pages/Le-Cirque-du-%C6%92reak/125138760892225

Encontro Distrital Autárquico - Sábado, 10 Dezembro, 15 horas


Camaradas,

O Bloco de Esquerda Coimbra promove, no próximo dia 10 de Dezembro (Sábado) um Encontro Distrital Autárquico. Este será um momento de encontro entre autarcas eleitos nos diversos concelhos onde apresentamos candidaturas, bem como demais militantes e simpatizantes empenhados nestas lutas locais.

Este será um momento importante de balanço e de perspectivar a intervenção autárquica para os próximos 2 anos. Como é natural, um dos principais temas em discussão será o Documento Verde da Reforma da Administração Local.

Contaremos com a presença do camarada Alberto Matos da Coordenadora Nacional Autárquica do Bloco de Esquerda.

O Encontro realiza-se na Sede Distrital (Rua Ferreira Borges), com inicio previsto para as 15 horas.

P´la Coordenadora Distrital,
Hugo Dias

Tema do mês: O Bloco e as novas realidades dos movimentos sociais e das lutas populares.


Multiplicar energias populares

Novo tempo

Esta greve geral tem uma indelével e absolutamente decisiva marca: resistência! Resistir contra o roubo descarado e mafioso, resistir para resgatar a dignidade do trabalho e da pessoa, resistir contra a ideologização do conformismo, do não muda nada, do “comer e calar”. Essa marca é, em si mesma, uma grande vitória. Essa marca terá de continuar!

Entrámos nas greves de um novo tempo: do tempo que traz a greve à rua, das greves políticas, dos piquetes conjuntos de professores e estudantes, das manifs orgânicas e “desorgânicas”, da indignação daqueles que já têm pouco ou nada a perder, da provocação policial organizada para justificar o uso e aumento da repressão, da acção directa do aparelho repressivo – pré-propagandeada - do Estado ao serviço de uma classe sobre a acção cívica e a cidadania.

Neste novo tempo, os desempregados aumentam diariamente. A precariedade e o medo fazem a regra nas empresas. No agudizar da crise agudizam-se todas as contradições: discriminação de género, ódio racial, desprezo pelo ambiente, exclusão de serviços públicos fundamentais como a saúde, a educação ou o apoio social de sobrevivência, privatização de bens fundamentais à vida humana como a água, ataque à democracia, vertigem pela guerra…

O plano da elite déspota está traçado: assente na chantagem da divida aí está a politica ultra-liberal para destruir as conquistas históricas do Estado/providência, horário de 8h e direitos no trabalho, subsídios de férias e natal, educação, saúde, transportes (…) como garantia de serviços públicos, retroceder décadas e impor a maior derrota, desde o 25 de Abril, aos direitos sociais e democráticos. Os “actores” e partidos do regime, CDS, PSD e PS, agem nesse contexto e fizeram, por opção própria, as suas escolhas. A rotatividade, ao centro, foi a porta de entrada dos déspotas.

Novo tempo este em que se hipoteca a democracia (ex: Itália e Grécia) em por toda a UE quem manda não são os povos e respectivos representantes eleitos mas sim o eixo Alemanha/França e acima de tudo e de todos a finança.

Novo tempo, e daí?
Fazer política sem pensar no meio concreto, nas pessoas concretas que nos envolvem e nas propostas e acções necessárias a ganhar o apoio dessas pessoas, é um dos equívocos mais frequentes em activistas do Bloco. Esse equívoco determina a acção política como se quase tudo, ou mesmo tudo, dependesse de nós. Quando assim é, tudo depende da alternativa e do projecto ou tudo depende de radicalização contínua e estéril; é como se uma equipa pudesse ganhar jogos sem jogadores mas com tácticas brilhantes do treinador ou pudesse marcar golos usando apenas o corpo do jogador e a bola não contasse (o que nos faria atirar todos para dentro da baliza).

Neste novo tempo, o BE apresenta alternativas políticas e resiste procurando apoio de massas para enfrentar o ataque e multiplicar a energia popular. É uma tarefa ciclópica, mas cá estamos para a construir.
Pensando na luta política em concreto e partindo das nossas vivências deixamos um singelo contributo de reflexão e partilha, no âmbito dos debates da moção A, sobre algumas das novas realidades dos movimentos sociais e das lutas populares. O reforço dos movimentos, e da sua independência, é também um dos objectivos do BE enquanto partido que pugna por uma transformação político-económica, mas também de valores, que tem estado na linha da frente na defesa das pessoas e do trabalho.

Mais democracia, mais energia, mais luta.
O plano déspota consiste, conseguida a precarização geral, em destruir os lugares de maior resistência e direitos dos trabalhadores: as maiores empresas, aquelas onde ainda resistem Acordos de Empresa ou Acordos Colectivos de Trabalho, trabalhadores efectivos, mobilizações para lutas. Para facilitar despedimentos de trabalhadores efectivos, diminuem as indemnizações e propõem os despedimentos com justa causa por “incumprimento” dos objectivos e metas de avaliação de desempenho definidos por chefias e patrões. A “frente de batalha” está ainda mais deslocada para as empresas e aumenta brutalmente a pressão sobre as CTs, que vão passar a negociar AE e ACTs.
Parece-nos importante injectar novas energias na luta, na “frente de batalha” que nos é imposta, respeitando a independência dos movimentos sociais e defendendo que a democracia não pode ficar à porta das empresas:
- Dinamizar a eleição de delegados sindicais nos locais de trabalho, activando a democracia sindical e a acção de base;
- Organizar Comissões de Trabalhadores onde não existem e promover candidaturas onde já existem, antes que os patrões as façam primeiro que nós, para com elas negociar a seu belo prazer. 
As CTs têm uma capacidade de unir trabalhadores que é decisiva hoje.
Estamos no tempo de libertar energias, de ganhar juventude, de descobrir novos valores e de construir os combatentes do futuro. É falsa a polémica “CTs contra Sindicatos”: precisamos de todos e todos são poucos.
Porque todos são precisos, pensamos ser necessário generalizar a todo o país a acção de indignados e precários. A luta dos trabalhadores não se fará sem os milhões de precários; a rua e a mediatização da acção são decisórias na disputa da opinião pública.

Defender os serviços públicos e o papel social do Estado.
As campainhas de alerta tocam quando nas IPSS nos dizem que os pobres, idosos e crianças são clientes. Esta revolução ideológica – iniciada por Idália Moniz, governo PS – transforma radical e ideologicamente os direitos humanos em mercado, os direitos constitucionais em negócio, a obrigação e a solidariedade do Estado em apoiar os mais fracos em serviço pago ou caridade ao “desgraçado” que “não quer trabalhar”. A luta contra a pobreza, tema essencial na luta política, não pode ficar à mercê ideológica dos conservadores.

Com o Plano de Emergência Social – PES - o Estado está a desresponsabilizar-se totalmente do seu papel social, delegando em IPSS's e Misericórdias (…), insuficientemente financiados e em risco de encerramento. Para não encerrarem há instituições a cobrar mensalidades cada vez mais elevadas aos seus utentes, sobrecarregando ainda mais as famílias e fazendo com que, por ausência de recursos, fiquem pessoas em situação desprotegida. O governo está a violar os princípios constitucionais da equidade e do carácter universal das políticas públicas.
As privatizações trazem consigo um enorme aumento das tarifas e encerramentos de serviços. Disputar o apoio e fomentar a acção de resistência da população é positivo para confrontar o poder com o descontentamento popular. As organizações locais do Bloco têm na luta pelos serviços públicos uma ferramenta de acção, espaço e iniciativa política.
Valorizamos os referendos populares (como o que se vai realizar no Cartaxo sobre a privatização e concessão do estacionamento) pois são elementos ofensivos que abrem brechas na muralha dos poderes e interesses, puxam a população ao debate político e estimulam a democracia.

Na guerra não há nim – só há não!
Sempre que as crises se agudizam, a guerra aparece como saída para as lideranças manterem o seu poder.
Quando à maior crise global de sempre se junta a crescente escassez da principal matéria-prima, o petróleo, quando as potências e multinacionais se fragilizam economicamente e pretendem compensá-lo com exploração desenfreada e quando o desemprego e empobrecimento relativo e absoluto de milhões de milhões de pessoas exponencia a sobre-produção de bens, o sistema tem necessidade de destruir de forças produtivas.
Quando há países que querem reforçar o seu papel na guerra, como a França, quando povos ou tiranos de uma qualquer nação se opõem ao domínio do imperialismo global a guerra aparece como necessidade de e/ou imposição da ordem do império.
A Carta das Nações Unidas e o direito internacional foram atirados ao lixo, em nome da guerra preventiva. O novo conceito estratégico da NATO, braço armado do império, assume-se como “músculo e espinha dorsal das democracias”, escolhendo quais os ditadores que quer derrubar e quais os ditadores que quer defender, quais os povos que quer “proteger” em nome do dever de protecção e quais os povos que quer continuar a deixar às mãos das burguesias mafiosas e ditatoriais locais. 
Os donos do império anseiam por um ataque ao Irão. Em qualquer momento poderão surgir ondas de notícias relatando matanças e violações de direitos humanos (os aliados dos EUA “nunca têm” violação dos direitos humanos), perigosíssimos ensaios nucleares, mísseis ultra-sofisticados para atacar Israel, novas armas químicas para atacar o Ocidente, a que se juntarão as proclamações do “grande aliado” do terrorismo norte-americano, a Al-Qaeda. 
Podendo acontecer uma nova escalada de guerra imperialista, a qualquer momento, o Bloco de Esquerda deverá estar presente na dinamização dos protestos populares e na defesa da Paz, o fim da NATO e de todas as armas nucleares.

30-11-2011 Subscritores: Victor Franco, Lia Ribeiro, Duarte Arsénio, Sara Cura, António Godinho, Carla Rodrigues, Luís Gomes, Lina Duarte, Paulo Marques, Maria Conceição Anjos, José Neves Filipe, Bruno Góis

Debate de Apoiantes da Moção A


O Bloco e as novas realidades dos movimentos sociais e das lutas populares.
Paulo Seara
Vila Real, 05.12.2012

Introdução

O período que vai de 2005 a 2011, foi excepcional, com forte intervenção política bloquista, com forte apoio popular, e demarcação em relação às políticas neoliberais do Partido Socialista. Superamo-nos, mas também nos deslumbramos. Ficamos mais institucionais. A experiência de participação nas lutas dos professores contra o modelo de avaliação deu frutos, mas também deu para o torto, acredito que tenhamos sido utilizados.

A legislatura, ao que tudo indica será de quatro anos, os nossos deputados terão oportunidade de se revessarem, de modo a outros adquirem mais traquejo, os não eleitos devem marcar presença nos seus distritos. Após 12 anos de crescimento, não guardaremos ressentimentos da derrota de 5 de Junho, estamos em guarda pelos direitos sociais da democracia, da justiça na economia, de uma via racional para combater a crise e as medidas de austeridade, pelo emprego, pelo socialismo.

Compreender o que se passa à nossa volta com os movimentos sociais e as lutas populares é o desafio do próximo debate, o meu contributo vai incidir na cultura.

A Revolução está na Cultura

A revolução não se faz apenas na rua, ou, por contraponto ao ser decretada pelas redes sociais na internet. Só uma cultura democrática de alta intensidade popular é que pode ultrapassar a movimentação social sem espaços de debate cara a cara, estabelecendo uma constante dialéctica entre os protagonistas, dando às diversas comunidades e grupos sociais a oportunidade de gerar a mudança.
Conquistar a rua é fulcral, mas encontrar espaços para o debate na democracia portuguesa fora da rua é importante de modo a mobilizar aqueles que se mantêm alheados.

É óbvio que é a mudança material o principal motor da revolução, mudar o rumo das privatizações e o desmantelamento do estado social, no entanto isso só será assegurado se formos mais longe para manter os bens vitais no domínio público. Pode levar muito tempo a inverter a situação atual. Só o predomínio de uma linguagem de esquerda, uma imagética rumo ao futuro, e uma visão cultural alternativa pode salvaguardar, defender e impedir que a ideologia neoliberal continue a ser maioritária na cultura portuguesa, arrisco dizer na cultura burguesa também, e que continua a realizar sucessivas experiências e doutrinas de choque, com base na fórmula TINA – There is no alternative.

É necessário uma alternativa de esquerda que parta da cultura, que ocupe espaços, que desfaça fantasmas, que esclareça, que aconteça, que seja provocante, que ultraje os nossos adversários, que lhes corte a palavra; que seja uma revolução cultural. Devemos mobilizar e participar nas movimentações sociais, sem ser o seu megafone. As lutas populares antes de se embrenharem na economia devem fortalecer-se com a cultura para formar uma contra elite. A década que passou foi protagonizada pelo aparecimento de mais movimentos cívicos. Mas ainda não apareceu uma contra elite. Atualmente a elite que nos governa rotativamente é homogénea, e ainda não encontrou um adversário, certamente que o prolongar da crise fará aparecer um.

Se existe esperança, ela reside numa classe a quem foi vendido um falso sonho de abastança e da independência, e que hoje não passam de marionetas dos grandes capitalistas, que vigiam o elevador social. A tomada de consciência passa por essa classe participar nos movimentos sociais, ou directamente no Bloco de Esquerda.

Por uma linguagem de proximidade, para ser a vanguarda e a retaguarda social

Para a direita, basta dominar a linguagem e a “lógica”, na mão dos média capitalistas, para o povo acreditar. A direita disse que não havia mais direita, era só mérito e trabalho, e ser-se independente, o resto vinha por acréscimo, o mercado era auto-regulado, as crises facilmente debeladas apoiadas na máxima nec plus ultra (não há mais nada além), a moral casou com o consumismo, os empregos e agora o trabalho não são para a vida (são efémeros), por outras palavras a subsistência pessoal e colectiva é uma condição do trabalhador, que ele tem de autodeterminar. Mas com políticas que não fornecem ferramentas para atingir a sobrevivência, o trabalhador apenas autodetermina as suas ilusões. Se o Bloco de Esquerda não dominar a linguagem, o chamamento para desmascarar o capitalismo não juntará forças. É imperativo dar a volta aos grandes substantivos abstratos do neoliberalismo.

O sonho liberal

Não existe unificação entre o todo social e o Homem burguês, e essa condicionante é o individualismo.
O neoliberalismo alimenta-se do ego, daí a explosão de crises financeiras fomentadas pelo risco moral.
O sonho liberal do Homem culto realmente não passa de um sonho: a cultura, neste âmbito, é entendida como a capacidade do indivíduo de, devido à complexidade da sua personalidade, reproduzir a sociedade no seu interior (daí os candidatos a PM liberais terem sempre um delírio da sociedade ideal, Mário Soares, a Suíça, Sá Carneiro, o Canadá, Sócrates, a Finlândia, Passos Coelho, os EUA), e de, assim, desenvolver em si mesmo o vínculo moral que confere coesão à sociedade. Isto provou ser um desejo piedoso, com as crises dos últimos 30 anos provocadas pelo mais desenfreado neoliberalismo. Porquê que a sociedade não muda, o politicamente correto não permite., existe um vínculo moral.

O neoliberalismo divulgou na esfera económica e social, que o desenvolvimento do egoísmo (e da corrupção) seria benéfico para toda a comunidade, pois o mercado corrigiria tudo. Foi assim que se alcandorou a globalização, apesar dos seus efeitos perversos no trabalho e na redistribuição de riqueza. Era a lei das inevitabilidades. O neoliberalismo, passou a ser uma imposição cultural em nome de uma economia arrumadinha. Todos estes desenvolvimentos estão a conduzir ao fim da tradição humanista burguesa, em que o movimento pelo aprofundamento da cultura, encetado nas luzes, associado ao empenho político é mera arqueologia histórica. Os fins últimos do capitalismo de hoje atacam a liberdade e a construção liberal dos últimos 250 anos.

Ultrapassar a noite de Chicago

A nossa mensagem tem que ser cristalina, nítida e audível. Durante as nossas ações, como nas campanhas usar conceitos abstratos como Justiça, não entram com facilidade nas bases populares, entram no nosso eleitorado base. Porque podemos estar a falar em abstracto da justiça capitalista. As pessoas compreenderiam melhor a temática da corrupção.
É preciso não deixar prescrever a criatividade no Bloco, que primou pela originalidade durante os primeiros anos, e apresentar soluções para esta crise, tendo como alvo pontos fracturantes da nossa sociedade. Vivemos numa crise social, para além da evidente crise económica, no âmbito cultural, manifesta-se uma maior restrição de pensamento e expressão por parte do “political correctness” (politicamente correcto). Todos os possíveis grupos se definem como “prejudicados”, para com isso conseguir vantagens para si.

Enquanto o capitalismo trabalhou com a Escola de Chicago uma noite coletiva, através do medo. A esquerda socialista, no passado, realizava propaganda e agitação. A palavra modela, a propaganda e a agitação são fulcrais em momentos chave, mas não modelam uma sociedade, apaziguam e constroem narrativas comuns, mas numa se interiorizam a longo prazo. As palavras vão mudando, vão-se refrescando, dissimulando, foi isso que tornou o neoliberalismo um camaleão. A linguagem económica está por todo o lado, mas quem a compreende!?. A esquerda de hoje, não é a mesma de à 20 anos, a sua palavra também mudou. Então, o que é que falta? Usar mais a palavra, mas nunca faltar à verdade.

Os quatro caminhos do poder

Todos os governos, não importa qual a sua natureza, tem de fato só quatro caminhos para se manter no poder:
1. Inflação
2. Propaganda
3. Repressão
4. Guerra
Estes quatro meios são utilizados em proporções distintas. No nosso sistema democrático vem em primeiro lugar a inflação e a propaganda, menos a repressão (embora esta tenha aumentado nos últimos anos). Pelo menos até o momento na Europa, a guerra não papel de destaque.
Existe ainda um meio de manutenção do poder: a falsificação das estatísticas e a manipulação dos mercados. A manipulação do mercado acontece através dos governos, bancos centrais e bancos de investimentos e é extremamente importante no nosso sistema financeiro. Esta prática tem vindo a aumentar, tendo a entrada no Euro, iniciado uma escalada na manipulação estatística. A grande jogada neoliberal para desmantelar o Estado Social também necessita de muita manipulação. O que podemos fazer contra isto?

Democracia participativa todos os dias

A ideia da democracia participativa foi sempre mal-encarada no passado e ainda é vista como uma anomalia para a direita e para os social-democratas do PS. Insistir e construir pontes com os movimentos sociais é ocupar terreno da opinião pública onde ela interessa, fora da televisão e dos jornais. Se eles não podem com a democracia participativa, vamos encadeá-los com mais democracia.
A médio prazo isto vai criar o atrofiamento das maiorias de hoje, a direita e os sociais-democratas do PS vão passar a falar para as suas plateias indefectíveis.

Quem defende a democracia?

Neste momento o neoliberalismo ataca freneticamente os direitos sociais adquiridos com as revoluções burgueses, e nenhum partido burguês como o PS se lhe opôs! Excepto o BE, quase ninguém teve uma atitude firme e ao mesmo tempo inovadora na década de passou. A sociedade tem medo; o PCP barafusta mas protege-se com a ortodoxia. Há democratas sim, existem, mas qual é o partido que hoje defende genuinamente uma democracia?
Temos que discutir a realização de uma nova etapa na nossa democracia. No rescaldo do protesto de 15 de Outubro, o sociólogo Boaventura Sousa Santos (que participou na criação do BE em 1999), proponha que se realizasse uma nova Assembleia Constituinte de modo a aproximar a democracia participativa da representativa. Esta crise, é um bom motivo para repescar a nossa democracia, e encerrar o capítulo da II República. Necessitamos de fazer uma constituição socialmente mais justa, a atual tem sido desmantelada desde 2008, e demarcava-se assim o BE do PCP, que pretende manter a constituição como está. A direita e o PS, nem querem ouvir falar disso, soa a PREC, quando estamos em pleno PREC de direita!

A Esquerda Socialista tem um espaço e um modo de pensar a sociedade, mas que não é maioritária. A esquerda socialista deve estar ciente que a perda dos direitos burgueses, e dos compromisso do pós segunda guerra mundial, entre a social-democracia e direita, virão ao de cima mais cedo ou mais tarde, por enquanto vivemos numa neblina como aquela que assolou a Europa de 1925 a 1939. Se o neoliberalismo engolir a social-democracia para onde se vão virar os social-democratas?

Os movimentos de 12 de Março em Portugal e do 15 de Maio em Espanha são por enquanto um despertar caótico e hostil à democracia parlamentar, um raiar de democracia participativa, um misto de neoanarquismo não declarado e não consciente, política despolitizada, mas irá evoluir politicamente, fruto dos futuros conflitos que vão ocorrer nos países do sul durante as eleições, após a imposição de governo tecnoditatoriais ou posteriormente através de novas revoltas sociais, e que temos de aproveitar para por em marcha os objetivos de Marx: o socialismo. Só assim poderemos alcançar a paz social, e derrotar o neoliberalismo que se apropriou da sociedade e das nossas vidas.

O compromisso entre os Movimentos Sociais e o Poder ainda não existem pois ainda não há negociações na concertação social para os novos movimentos de trabalhadores precários. As centrais sindicais necessitam de realizar a sua inclusão social, no meio, e de se aproximar do exército de desempregado. A génese do conflito entre Movimentos Sociais e o Poder tem por base a resolução do desemprego e do contrato de trabalho, os salários; denuncia os bancos e os especuladores, mas a proteção da propriedade privada nas suas diversas formas está intacta; os direitos humanos são defendidos, mas não apresentam uma alternativa política socioeconómica que os defenda.

25 Propostas de intervenção para a esquerda socialista (algumas já em prática)

1. Participar e colaborar com os movimentos sociais
2. Conquistar espaços de debate e decisão para o BE e para as lutas populares
3. Continuar a politização do partido com mais encontros e debates temáticos sobretudo a nível local, que mobilizem a população
4. Divulgar até à exaustão o nosso trabalho nos média locais, regionais e nacionais; não podemos desistir nos meios mais difíceis, já sabemos que controla a imprensa… e daí!?
5. Ser criativo, usar o humor e o burlesco nas nossas ações
6. Fazer das nossas sedes espaços de democracia participativa e popular
7. Continuar com as nossas ações socioculturais, e alarga-las ao interior do país
8. Enraizar o BE local (municípios) com ações temáticas e visitas dos nossos ativistas
9. Nunca faltar a um debate, nunca mais evitar reuniões com as troikas do futuro
10. Apresentar alternativas de vida à crise burguesa contemporânea
11. Criar uma contra elite cultural de esquerda
12. Criar uma linguagem de proximidade, para ser a vanguarda e a retaguarda social
13. Condenar os cortes no ensino, ciência, ambiente e na cultura, que extirpam a sociedade da democracia, da cidadania, e do desenvolvimento cultural e científico e bem-estar ambiental
14. É preciso dar relevo ao eco socialismo dentro dos movimentos sociais e das lutas populares, em oposição ao ambientalismo de mercado e à mensagem telegénica do micropartido PAN
15. Concertar as lutas dos movimentos sociais à escala europeia em conjunto com o PEE – Partido de Esquerda Europeu
16. Colaborar com os estudantes do programa Erasmus para mobilizar os movimentos sociais e as lutas populares de esquerda a nível europeu
17. Lutar contras os tabus e as fobias sociais
18. Impor uma agenda de novas conquistas cívicas e causas fracturantes
19. Apoiar e dinamizar movimentos cívicos no interior do país
20. Procurar pontes com a economia social laica (IPSS), opondo-nos ao mercantilismo das Misericórdias e aos pobres serviços públicos para pobres
21. Exigir que as novas organizações de trabalhadores, precários, desempregados e imigrantes tenham mais participação nas centrais sindicais, e que se alargue a concertação social aos PI e ao FERVE
22. Fomentar o protesto social contrapondo-o ao imobilismo dos grandes partidos, e radica-lo na sociedade, no espaço urbano e no espaço rural
23. Defender os direitos adquiridos ao longo de gerações
24. Condenar e combater as novas formas de ditadura
25. Debater a realização de uma nova Assembleia Constituinte de modo a aproximar a democracia participativa da democracia representativa

3º Debate Moção A - 4ª feira, 7 Dezembro, 21:00


Camaradas, 


No seguimento do compromisso de aprofundamento da discussão política prosseguimos com as reuniões temáticas da moção A. 

“O BLOCO E AS NOVAS REALIDADES DOS MOVIMENTOS SOCIAIS E DAS LUTAS POPULARES” 

4º feira, 7 de Dezembro, 21 horas, Sede Distrital. 

A introdução do Debate estará a cargo da Teresa Cunha. 

Para mais informações: http://debate-a.weebly.com

Saudações Bloquistas,

Hugo Dias

Estão nas próximas duas mensagens, dois contributos de aderentes sobre este Debate.