sábado, 5 de novembro de 2011
Literatura Mundial e Linguagens
[O poeta sueco Tomas Tranströmer, que ganhou este ano o prémio nobel da literatura, escreve sobre a morte, a história, a memória e é conhecido pelas suas metáforas. A propósito da literatura e de outras linguagens, eis um texto de Tariq Ali, publicado em International Viewpoint - 1/12/2010]
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
INCONFORMAÇÃO 2011 :: Encontro Nacional de Activistas Estudantis :: 18-20 Novembro, Porto
INCONFORMAÇÃO
Encontro Nacional de Activistas Estudantis
18, 19 e 20 - Porto
O INCONFORMAÇÃO é um espaço de debate, de formação inconformista e de discussão alternativa. É um encontro nacional e de pensamento dirigido a activistas estudantis e aberto a todos e todas os que queiram participar. É uma iniciativa dos estudantes do Bloco de Esquerda, onde são bem vindas todas as pessoas com vontade de pensar e de transformar a realidade, sejam ou não do Bloco.
Vem pensar e debater o Ensino Superior e o Secundário
Vem discutir estratégias de intervenção
Vem discutir bolsas, acção social e igualdade
Vem discutir propinas e precarização;
Vem discutir a Democracia!
Nos dias 18, 19 e 20 de Novembro vem ao Porto
Informações
Data: 18, 19 e 20 de Novembro
Local: Porto
Sexta-Feira: Sede do Bloco de Esquerda - Rua da Torrinha
Sábado e Domingo: Faculdade de Psicologia e Ciências da Comunicação - Pólo da Asprela (Paranhos)
Alojamento:
O alojamento é Solidário e será feito nas casas dos aderentes do BE do Porto. No entanto, é recomendado que os participantes tragamsaco cama e toalha.
Transporte:
Será disponibilizado transporte a partir de Lisboa e Coimbra (ida Sexta feira e volta Domingo - hora de partida a designar). O transporte tem um custo simbólico de 5€.
Serão disponibilizados no local o Almoço e Jantar de Sábado bem como o Almoço de Domingo - 3.5€ cada refeição
Inscrições:
As inscrições poderão ser feitas através do site: http://www.inconformacao.pt.
Contactos:mail: inconformacao2011@gmail.com ou bloco.porto@bloco.org
telefone: 222002851
info ESQUERDA.NET 03/11/2011
Merkel, Sarkozy e FMI deram ultimato à Grécia
A convocatória do referendo grego ao pacote de ajuda europeia enfureceu os governos alemão e francês. O primeiro-ministro Papandreou lançou uma moção de confiança no parlamento e diz que a Grécia pode ir a referendo no dia 4 de Dezembro. Na passagem por Cannes, ficou a saber que o país só recebe a sexta tranche do empréstimo caso o referendo aprove o plano da troika.Ler mais.
Bloco desafia o PS a votar contra o Orçamento de Estado
A Comissão Política do Bloco de Esquerda aprova resolução (aceda à resolução na íntegra em pdf) onde denuncia que o governo e a troika estão a declarar guerra à sociedade e desafia o Partido Socialista a rejeitar a proposta de Orçamento de Estado. O Bloco considera também que o problema da zona Euro é a austeridade e que o caminho para a solução só pode ser o crescimento e o combate ao desemprego.Pior que morrer é não pagar
Quando, perante a morte de um povo, a nossa preocupação é que assim não pode pagar a dívida agiota à banca sabemos que chegámos ao grau zero da Humanidade.
G-20: o protesto está em Nice
A reunião do G20 em Cannes vai contar com muitos protestos e uma contra-cimeira, para voltar a exigir dos políticos que a vida das pessoas venha primeiro que o interesse da finança. ", disse.Overdose liberal
A crise e o desemprego estão a empurrar muitos ex-toxicodependentes de volta ao consumo. Será esta a melhor altura para acabar com o IDT?.
Rebelião do povo grego leva a crise política e põe em pânico cúpula da UE
A 28 de Outubro de 2011, o povo grego rebelou-se por todas as cidades helénicas. Perante o “não” massivo, Papandreou decidiu convocar um referendo, abrindo uma crise política. A repercussão foi mundial, com as bolsas a caírem brutalmente. Merkel e Sarkozy exigem que a Grécia cumpra as suas imposições e decidem reunir antes do G20. Em Atenas, Papandreou demite as chefias das Forças Armadas.Ler mais.
Pucarinho : Na rua amarela (2011).
José Mário Branco : Margem de certa maneira (1972).
Luís Pedro Silva : Fado descanecado (2011).
Edição nº 119, de 3 de novembro de 2011.
3 de Novembro
Debates à Esquerda – Olh’a Revolução!
A Revolução, o que é?, com Jorge Costa e José Soeiro. Organização da Cooperativa Culturas do trabalho e Socialismo - CULTRA.Vercartaz.
Lisboa, Livraria Ler Devagar (Lx Factory, em Alcântara), 21h.
PARLAMENTO - Este não é o nosso ORÇAMENTO
Organização: Plataforma 15 de Outubro. Ver evento nofacebook.
Lisboa, Assembleia da República – São Bento, 15h.
Projecção do filme “A Pequena Loja na Rua Principal”
Realizadores: JánKadár e Elmar Klos, 1965.
Setúbal, Prima Folia (R. Fran Pacheco n.º 178), 21h30.
Exibição do Filme "Erin Brockovich" em homenagem a Paula Tavares
Com intervenção de Paula Chainho, seguido de Debate sobre Questões ambientais. Verprograma.
Lisboa, Centro de Cultura e Intervenção Feminista da Umar,20h30.
A Revolução, o que é?, com Jorge Costa e José Soeiro. Organização da Cooperativa Culturas do trabalho e Socialismo - CULTRA.Vercartaz.
Lisboa, Livraria Ler Devagar (Lx Factory, em Alcântara), 21h.
PARLAMENTO - Este não é o nosso ORÇAMENTO
Organização: Plataforma 15 de Outubro. Ver evento nofacebook.
Lisboa, Assembleia da República – São Bento, 15h.
Projecção do filme “A Pequena Loja na Rua Principal”
Realizadores: JánKadár e Elmar Klos, 1965.
Setúbal, Prima Folia (R. Fran Pacheco n.º 178), 21h30.
Exibição do Filme "Erin Brockovich" em homenagem a Paula Tavares
Com intervenção de Paula Chainho, seguido de Debate sobre Questões ambientais. Verprograma.
Lisboa, Centro de Cultura e Intervenção Feminista da Umar,20h30.
4 de Novembro
Sessão “A crise económica e social - que soluções?"
Com Francisco Louçã.
Moita, Biblioteca Municipal,21h30.
Concerto pela cultura
Incluído no conjunto de iniciativas COOLTURA PRA TODOS, organizada pela Concelhia de Odivelas do Bloco de Esquerda. Ver panfleto.
Odivelas, Pavilhão Polivalente (junto às Piscinas e Escola Secundária), 21h.
Jantar - debate "O Círculo Cultural de Setúbal - história e identidade da cultura setubalense"
Com José Maria Dias (TEF) e José Luís Neto (Prima Folia). Marcações - 96 368 37 91/96 97 91 335.
Setúbal, Prima Folia (R. Fran Pacheco n.º 178), 20h.
Com Francisco Louçã.
Moita, Biblioteca Municipal,21h30.
Concerto pela cultura
Incluído no conjunto de iniciativas COOLTURA PRA TODOS, organizada pela Concelhia de Odivelas do Bloco de Esquerda. Ver panfleto.
Odivelas, Pavilhão Polivalente (junto às Piscinas e Escola Secundária), 21h.
Jantar - debate "O Círculo Cultural de Setúbal - história e identidade da cultura setubalense"
Com José Maria Dias (TEF) e José Luís Neto (Prima Folia). Marcações - 96 368 37 91/96 97 91 335.
Setúbal, Prima Folia (R. Fran Pacheco n.º 178), 20h.
Conferência Internacional O Euro e a Crise das Dívidas
9h30m - Sessão de abertura, com Marisa Matias (Vice-Presidente do PEE) - "O Euro e as Dívidas - Diagnóstico e Soluções" e Eugénia Pires (Portugal) - "O que é a Dívida?"
10.30h - Os PIIGs: Diagnóstico dos países com as maiores dificuldades. Com Nuno Teles (Portugal), Eoin O'Broin (Irlanda) e Nikos Pappas (Grécia)
12h - Segundo painel: Os que se seguem. Com Ricard Fernández (Espanha), Alfonso Gianni (Itália) e Pedro Filipe Soares (Portugal)
15h — Terceiro painel: Respostas europeias. Com Michel Husson (França), Elisa Ferreira (Portugal), Jeremy Corbyn (Reino Unido) e Miguel Portas (Portugal)
17h30m — Encerramento: Francisco Louçã
Porto, Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto (Metro Pólo Universitário – Rua Alfredo Allen), Entrada livre – Tradução simultânea, 9h30m – 18h30m
9h30m - Sessão de abertura, com Marisa Matias (Vice-Presidente do PEE) - "O Euro e as Dívidas - Diagnóstico e Soluções" e Eugénia Pires (Portugal) - "O que é a Dívida?"
10.30h - Os PIIGs: Diagnóstico dos países com as maiores dificuldades. Com Nuno Teles (Portugal), Eoin O'Broin (Irlanda) e Nikos Pappas (Grécia)
12h - Segundo painel: Os que se seguem. Com Ricard Fernández (Espanha), Alfonso Gianni (Itália) e Pedro Filipe Soares (Portugal)
15h — Terceiro painel: Respostas europeias. Com Michel Husson (França), Elisa Ferreira (Portugal), Jeremy Corbyn (Reino Unido) e Miguel Portas (Portugal)
17h30m — Encerramento: Francisco Louçã
Porto, Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto (Metro Pólo Universitário – Rua Alfredo Allen), Entrada livre – Tradução simultânea, 9h30m – 18h30m
Sessão Pública – Que saídas para a crise?
Com Francisco Louçã e Pedro Filipe Soares. Ver cartaz.
Santa Maria da Feira, Auditório da junta de Freguesia,21h30.
Com Francisco Louçã e Pedro Filipe Soares. Ver cartaz.
Santa Maria da Feira, Auditório da junta de Freguesia,21h30.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Bloco desafia o PS a votar contra o Orçamento de Estado
A Comissão Política do Bloco de Esquerda aprova resolução, onde denuncia que o governo e a troika estão a declarar guerra à sociedade e desafia o Partido Socialista a rejeitar a proposta de Orçamento de Estado. O Bloco considera também que o problema da zona Euro é a austeridade e que o caminho para a solução só pode ser o crescimento e o combate ao desemprego.
Artigo | 2 Novembro, 2011 - 03:01
“A tragédia grega antecipa o que é a política de austeridade e aquilo que se tornará inevitável em Portugal nos próximos tempos” declarou Marisa Matias em conferência de imprensa.
“Fazemos um apelo muito concreto ao PS para que rejeite este Orçamento, porque tem a ver com políticas de máxima austeridade e de máxima recessão. O PS deve clarificar a sua posição e deve ficar ao lado dos trabalhadores com o voto contra este Orçamento”, declarou Marisa Matias em conferência de imprensa onde anunciou as conclusões da reunião da Comissão Política do Bloco de Esquerda.
Na resolução, a Comissão Política do Bloco recusa o “regime do trabalho gratuito”, assinalando que “o corte até dois meses de salário aos funcionários públicos e a todos os reformados acima de 485 euros é o sinal de uma violência social inaceitável” e apontando que a solução do governo PSD-CDS é “tirar dinheiro a quem trabalha e aos mais pobres e deitar dinheiro para a banca”. (aceda à resolução da Comissão Política do Bloco de Esquerda na íntegra em pdf).
A resolução sublinha também que as medidas do Governo são inéditas, pois “nenhum país europeu no último século aumentou o horário de trabalho e impôs trabalho gratuito aos seus trabalhadores”, realçando ainda que “em Portugal, já se trabalha em média mais uma hora por semana do que na Alemanha e duas horas do que em França, com salários três vezes mais reduzidos”.
A Comissão Política do Bloco lembra que o Governo anunciou cortes drásticos na educação e no Serviço Nacional de Saúde (SNS), concluindo que “ao atacar os direitos essenciais da vida do trabalhador, o governo e a troika estão a declarar guerra à sociedade”.
A resolução destaca também que o problema fundamental da União Europeia é a recessão e que “o agravamento e alastramento das políticas de austeridade apenas aprofunda esse problema”. Considera ainda que se exige “uma reestruturação da dívida dos países periféricos da Zona Euro, de preferência negociada em escala europeia e ao serviço dos países sob resgate e não dos interesses dos credores”. Defende que a sustentabilidade das “finanças públicas passa pela criação de instrumentos de política económica à escala europeia, como a emissão de Eurobonds e a taxação das transacções financeiras, que devem contribuir para um orçamento comunitário com capacidade para combater o desemprego”, concluindo que “o caminho para a resolução dos problemas da zona Euro tem de ser o do crescimento e o combate ao desemprego”.
Na conferência de imprensa Marisa Matias sublinhou que a situação da Grécia é um aviso sério ao Governo português, considerando que o referendo "traduz de forma clara a crise política que se vive na Grécia". "Este é um recado mais do que evidente para o Governo português. É um recado para Portugal, porque prova-se que o sistema na Grécia está a desfazer-se - e isso devemos ter em atenção - e porque prova que falhou a política de austeridade", realçou a eurodeputada.
Marisa Matias afirmou ainda: "Se o mais recente plano de austeridade aplicado à Grécia fosse para a frente, nos termos em que estava a ser definido, apenas conseguiria que em 2020 a dívida grega estivesse ao nível de 120% do PIB. Após 30% de perda do valor real dos salários gregos, de transferência sem precedentes do valor do trabalho para o capital, aquilo que se queria oferecer é que a dívida fosse equivalente ao montante quando estes planos começaram”.
A eurodeputada concluiu, afirmando: “A tragédia grega não é apenas grega. Antecipa o que é a política de austeridade e aquilo que se tornará inevitável em Portugal nos próximos tempos”.
CP_1_novembro_2011.pdf341.8 KB
Fabian Figueiredo
Tintim e a nostalgia
Antes do filme de Spielberg.
[O ruído mediático sobre a apresentação do filme de Steven Spielberg "Tintim e o Segredo do Unicórnio" é uma boa ocasião para voltar a publicar este artígo de Hendrik Patroons, escrito em 2007, por ocasião de uma exposição que o museu Beaubourg, em Paris, dedicou a Hergé].
A trajetória ideológica de Georges Remi (1907-1083), aliás Hergé, um homem profundamente afecto à monarquia belga, é conhecida: em jovem combinava um catolicismo rígido com uma atitude política profundamente reaccionária; durante a Ocupação, tinha ilusões com a nova ordem encarnada pelos nazis; depois da guerra, evoluiu até um conservadorismo firme, com um pedaço de humanismo, mas politicamente desenganado. Continuou, sem dúvida, a frequentar os seus antigos amigos da extrema-direita.
As aventuras de Tintim e Milou, que estão hoje nas livrarias não são o simples reflexo da visão do mundo transmitida pelo cidadão Hergé. Ocorre o mesmo com a obra de todo o verdadeiro artista. O facto de um produto artístico escapar à unidimensionalidade política do seu criador, e ser dirigido, sem ser conscientemente e através de múltiplos níveis de interpretação, ao mundo em geral, faz parte quiçá da definição da arte.
Federico Engels dizia que tinha aprendido muito mais sobre a sociedade francesa com um defensor da grande propriedade, como Balzac do que com qualquer manual de economia política. Pelas suas contradições internas, a crítica social reaccionária pode trazer à luz o que o progresso burguês prefere ocultar.
Os 22 álbuns a cores, dos quais "Tintim no País dos Sovietes" faz parte e cujos primeiros números foram retocados e coloridos, depois da Segunda Guerra Mundial, constituem o corpo central do mito Tintim. Mito que se converteu num fenómeno mundial, mantido conscientemente com humor e ironia, pelos tintinófilos, tintinólogos e demais tintinólatras.
Não esqueçamos, sem dúvida, o aspecto comercial da empresa. Hergé era artista, mas também era empresário e trabalhava em estreita colaboração com o mundo da edição. Moulinsart, empresa de Rodwell, que depois foi marido de Fanny, a viúva de Hergé, é uma mina de ouro. O que prova que o romanticismo juvenil pode muito bem adaptar-se ao mercado capitalista.
Mas quem diz mercadoria supõe que esta responde a uma necessidade, que tenha portanto um valor de uso e não só um valor de troca. Como explicar esta necessidade? Citemos, para imitar atintinologia de alto nível, um grande pensador: "Agora, o problema coloca-se aqui da necessidade interior de uma semelhante necessidade, com os outros domínios da vida e do mundo. Todas as esferas diferentes da vida existem. Encontramo-las como tal ao nosso redor. Entretanto, a ciência não se contenta com estes factos, ela procura qual é a sua necessidade recíproca e as relações internas que as unem." (G.W.F. Hegel, Estética).
Adaptações ao cinema
Não tenho a pretensão de explicar esta necessidade tintinesca. Só posso avançar com alguns elementos de resposta. O que me choca, em primeiro lugar, é a nostalgia dos tintinófilos (aos que pertenço) pelos seus sonhos de infância, suscitados por cada leitura de uma das aventuras de Tintim, sobretudo as mais antigas. A criança não se reconhece no mundo contra-imaginário do quotidiano que a rodeia e que contradiz a retidão e a vida aventureira de Tintim. Baudelaire expressou esta nostalgia em "A Viagem": "Para a criança, amante dos mapas e dos selos/O universo é igual ao seu amplo apetite/Ah! Quão grande é o mundo à luz as lâmpadas! Quão pequeno é o mundo aos olhos da recordação!"
Parafraseando Marx, quando comenta a função escapista da religião, pode dizer-se que Tintim é "o suspiro da infância abatida, a alma de um mundo infantil sem alma". É o ópio das pessoas dos 7 aos 77 anos. Os álbuns do último período oferecem uma desculpa suplementar à nossa nostalgia, porque dirigem-se, através do seu humor, também aos adultos, como mostra por exemplo "As jóias de Castafiore". Outros elementos jogam sem dúvida um papel neste desejo do passado. A moda posmodernista rechaça as grandes interpretações históricas e prefere projecções nostálgicas do passado. Uma produção cinematográfica centrada no começo do século XX é a prova disso.
A banda desenhada não escapa a isso. Benoît Peeters sublinhou que, desde há alguns anos, "a banda desenhada europeia alimenta-se em grande medida da nostalgia. Blake e Mortimer, Marsupilam, Lucky Luke e muitos outros conheceram novas aventuras, depois do desaparecimento do seu criador". Esta nostalgia pela banda desenhada antiga e pelo período em que apareceu materializou-se incluso, em 1990, com o filme "Dick Tracy", de Warren Beatty. E não é casualmente que Steven Spielberg, grande conhecedor da alma infantil, acarinhou o projecto de levar ao cinema algumas aventuras de Tintim.
Censura
Concluímos esta homenagem com uma anedota. Há uma dúzia de anos, encontrei-me, em Gante ("essa jóia dos Ardenas belgas, celebre no mundo inteiro pelos seus campos de tulipas",segundo o jornal sensacionalista París Flash) com uma senhora de Shangai, que antes tinha ajudado nas suas lides com os serviços de imigração. Eu levava uma camiseta Tintim e, ao ver-me, exclamou "Tinn-Tinn", é o nome que o nosso herói tem na China.
Tintim não era um nome desconhecido na República Popular de Mao e a Revolução Cultural, tal como Didi em "O Loto Azul", não conseguiu decapitá-lo. Os álbuns circulavam em edições piratas, num formato diferente e impressos em papel de má qualidade. Foi em Amsterdão onde tive conhecimento da sua existência. Uma grande livraria da Leidse Straat vendia-os baratos. Mas isso mudou! Antes inclusivamente da China ser admitida na Organização Mundial do Comércio, as edições Casterman e China Children Publishing House assinaram um acordo: todos os álbuns estão já à venda no mercado do Império do Meio. Todos? Pois bem, não. Há um que falta: "Tintim no Tibete". Mil milhões de raios, os piratas não vão parar!
Publicado em Rouge nº 2189, 18/1/2007
Tradução: António José André
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