quinta-feira, 20 de outubro de 2011

VI Encontro Nacional doTrabalho 29 e 30 de Outubro e a Greve Geral de 24 de Novembro

GREVE GERAL
O nosso ENCONTRO e as reuniões Distritais que se irão realizar, servirão de preparação de acções, iniciativas e comicíos de rua do BE que mobilize todos para a resposta a este governo que nos quer roubar!
Dia 24 de Outubro O Bloco de Esquerda tem já agendada uma reunião com a CGTP 
  
VI ENCONTRO NACIONAL DO TRABALHO   29 e 30 de OUTUBRO
no Hotel Olissipo
Av. Miguel Bombarda nº 130, 1050-167 Lisboa - http://maps.google.pt/maps?hl=pt-PT&tab=wl
O Encontro debaterá dois temas de extrema actualidade
1 - A PRECARIEDADE E AS ALTERAÇÕES À LEGISLAÇÃO DO TRABALHO;
2 - O PAPEL DO ESTADO, SUAS FUNÇÕES SOCIAIS E OS TRABALHADORES EM FUNÇÕES PÚBLICAS;
O Primeiro painel contará com a presença do Prof. José João Abrantes e no segundo com a Deputada Mariana Aiveca
   Precisamos de arranjar e dar muita atenção às "dormidas solidárias"
INSCRIÇÔES:
P'la Coordenadora Nacional do Trabalho

José Casimiro

info ESQUERDA.NET 20/10/2011


CGTP promove concentrações no dia da Greve Geral
CGTP promove concentrações no dia da Greve Geral

A CGTP decidiu promover acções públicas em diversos distritos no dia da greve geral, marcada pela CGTP e pela UGT para o próximo dia 24 de Novembro. Entretanto, o Sindicato dos Jornalistas defende adesão à greve geral
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Grécia: greve total e manifestação gigante 
Grécia: greve total e manifestação gigante Um dia depois do protesto global, que viu dezenas de milhares de manifestantes descerem as ruas de Lisboa, a Assembleia Popular convocada pelos subscritores do manifesto 15 de Outubro juntou várias centenas de pessoas em frente ao Parlamento e convocou uma concentração para o dia do Orçamento de Estado.
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'New York Times' e 'Financial Times' dizem que indignação é justa 
'New York Times' e 'Financial Times' dizem que indignação é justa Jornal dos EUA critica em editorial a política de austeridade do Reino Unido; jornal britânico apoia o movimento Ocupar Wall Street. Ambos concordam que é justa a indignação contra o crescimento da desigualdade, o aumento da pobreza e dos sacrifícios.
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"Hoje é a mentira que está institucionalizada"
"Hoje é a mentira que está institucionalizada" Luís Fazenda critica a maioria de direita que traz ao parlamento a "verdade da mentira" com o roubo às expectativas sociais da maioria dos cidadãos. A solução é "responder aos desígnios das marchas de indignação e da greve geral", disse.
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15 Outubro 2011: grande vitória dos Indignados
15 Outubro 2011: grande vitória dos Indignados Foi a primeira grande manifestação realizada em 24 horas em todo o mundo, contra os responsáveis pela crise capitalista que faz dezenas de milhões de vítimas. Por Eric Toussaint.
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Haiti, país ocupado 
Haiti, país ocupadoEduardo Galeano
Se perguntar a qualquer enciclopédia qual foi o primeiro país a abolir a escravatura, receberá sempre a mesma resposta: Inglaterra. Mas o primeiro país que aboliu a escravatura não foi a Inglaterra mas o Haiti, que continua ainda a expiar o pecado da sua dignidade.
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Agenda

20 de Outubro
Abertura do doclisboa 2011 - IX Festival Internacional de Cinema.
Até 30 Outubro em Lisboa. Ver programa e mais informações.
Professores Indignados... História de uma ocupação
Debate com os professores contratados e desempregados que ocuparam o Ministério da Educação, pedindo explicações sobre as medidas (injustificadas) tomadas pelo Governo.
Lisboa, sede dos Precários Inflexíveis, Rua da Silva, nº 39 (Santos), 18h
21 de Outubro
Colóquio Internacional: A Política para a Saída da Crise: Europa Mediterrânica e América Latina em comparação
09h30 – 13h - Christos Pitelis (Judge Business School- Univ. Cambridge), Dermot McAleese (Trinity College – Dublin), Stuart Holland (Univ. Coimbra), José Reis (Univ. Coimbra), Antonio Vazquez Barquero (Univ. Aut. Madrid), João Rodrigues (Univ. Coimbra), André Nassif (BNDES, Brasil), Carlo Ferraro (CEPAL, Santiago)
14h30 – 18h - Vicente Donato (Univ. Bologna – Branch in Buenos Aires), Felipe Saez (Univ. Aut. Madrid), Francesc Perez (Univ. Valencia), Bruno Lamotte (Univ. P. Mendès France, Grenoble), Oscar Garavello (Univ. Milano), G. Garofoli (Univ. Insubria)
Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, 21 e 22 de Outubro de 2011
Cinebloco VFX: Palombella Rosa de Nanni Moretti
Ciclo programado por Tomás Cunha, O comunismo no cinema, entrada livre
Vila Franca de Xira, Sede do Bloco: Rua Miguel Bombarda (Rua Direita), nº 120, 21h30.
22 de Outubro
Colóquio Internacional: A Política para a Saída da Crise: Europa Mediterrânica e América Latina em comparação
09h30 – 13h - Joan Trullén (Univ. Aut. Barcelona), Bernadette Andreosso O'Callaghan (Univ. Limerik), Xavier Vence (Univ. Santiago), Patrizio Bianchi - Sandrine Labory (Univ. Ferrara), José Maria Castro Caldas (Univ. Coimbra), Claude Courlet (Univ. P. Mendès France, Grenoble)
14h30 – 18h -Sessões de apresentação de comunicação

Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
Itinerários, uma conversa com Filomena Marona Beja
Exposição de livros, leitura de textos
Lisboa, Casa da Achada, 16h.
Seminário Pensamento Crítico Contemporâneo «Identidades e Política»
Mesa-redonda «Política, identidade e movimentos» com Paulo Corte-Real, Sérgio Vitorino, Mamadou Ba, António Guterres, Ana Cristina Santos, Tiago Gillot e Ricardo Noronha. Mais informações.
LisboaFábrica de Braço de Prata17h.
SOS Racismo lança Agenda para 2012
Subordinada ao tema: A discriminação e o racismo no cinema.
Lisboa, Bar Agito, R. da Rosa, 261, 18h30
24 de Outubro
Cinema - Ciclo Estrelas de Hollywood
O feiticeiro de Oz, de Victor Fleming, com Judy Garland (1939, 101 min.).
LisboaCasa da Achada,21h30.
Mesa-redonda com alunos e professores contemporâneos de Mário Dionísio
Conduzida pela jornalista e escritora Sarah Adamapoulus. Ver programação.
Lisboa, Auditório da Escola Secundária Camões, 10h.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Sr. Silva

Quem já se esqueceu da célebre cena do teatro a que foi dado o nome de "O Senhor Silva"?
A história passa-se numa pequena ilha tendo como figuras de topo o senhor João e o dito senhor que dá nome a este teatro, o senhor Silva.
Referir-me à terra onde se passa esta cena, como sendo numa bonita e conhecida ilha badalada em todo o Mundo essencialmente pelos grandiosos finais de ano, pelo majestosos Carnavais e ainda pelas suas excelentes flores.
O actor principal o senhor João é um ilhéu dessa terra exímio na arte de representar e um assíduo participante no corso carnavalesco, no qual tem um óptimo desempenho. O senhor em causa é extremamente bairrista, dotado de uma boa lábia, por vezes, desavergonhado e com alguma com  graça.  
O tal  artista principal desta peça, quando em cena,  dirigiu-se ao senhor Silva, algo zangado num tom arrogante, diria mesmo um pouco agressivo e malcriado, como é seu apanágio. Discursava  então para os seus conterrâneos, referindo-se à postura daquele Senhor para com ele e para com a sua terra, reveladora duma grande falta de solidariedade.
No decurso desta cena, é notória a tristeza do Senhor Silva perante o infundado acuso de desprezo pela ilha do senhor João. Era assim que se chamava aquele artista, grade operário da representação.
De tal forma, o referido Senhor Silva,  se sentiu  tocado pelas blasfémias do outro,  também da sua família, que de mansinho, veio mais tarde um pouco mais tarde, dirigindo-se ao seu Povo  manifestar o seu mau estar. Referindo-se então ao mesmo assunto, ripostou devagarinho, ao discurso do senhor João, onde aquele declamador, segundo ele, o desprezava injustamente.
Quem se lembra bem desta peça, vai certamente encontrar algumas  semelhanças no actual "treiler" do filme que está a ser rodado na mesma ilha, com o mesmo elenco ao qual deverá ser dado o titulo de "O Rejeitado", "O fim da linha" ou ainda "A queda dum Anjo".
A história do filme em questão, resume-se ao seguinte.
Há um buraco nesta  ilha criado e escondido pelo seu Alcaide, noutra havia um pessegueiro plantado por um Vizir.
O buraco existente na primeira, é difícil de explicar ao Povo, mas  vai ter de ser tapado por este, com mais uma molhada de dificuldades para todo o reino.
Durante demasiado tempo, o tal artista ilhéu esfalfa-se em discursos contraditórios e  verborreicos  carregados de arrogância, blasfemando em todas as direcções tentando justificar o  incompreensível e injustificável buraco escondido durante muitos anos.
Devido á gravidade da situação têm sido variados os apelos, sem consequência feitos aos seus comparsas do outro espaço físico, no qual se encontra também, desta vez como o maior, o mesmo senhor Silva.
O senhor João tem pedido insistentemente à sua família, do outro lado, a cobertura de que necessita e que até agora lhe têm sido dada. Chegando mesmo a implorar ajuda para não o deixarem  abandonando.
Perante o silêncio dos seus parceiros, que ao mesmo tempo vão deixando sair pequenos e discretos laivos de hostilidade, também eles sob uma pressão oriunda de todos os lados Nacionais e Internacionais, não resta ao  senhor João  senão o armar-se em vitima par com os seus conterrâneos.
Talvez propositadamente, o Senhor Silva, não acuda ao senhor João. Tal como na outrora, virá mais tarde estrategicamente "com pezinhos de lã", depois de sacudir bem a água do seu capote,. como de costume, aludir suavemente ao tal preocupante buraco.
Parece que neste complicado enredo, seja qual for o desfecho final da história, o Senhor Silva mesmo que  silenciosamente vai deixar cair sozinho senhor João.
O dito buraco está a criar um mau estar bastante grande no seio de todos os artistas que ao longo de muito tempo, lhe têm valido, desculpando-o pelas suas trapaças a coberto do seu dito desempenho na ilha. A fim e ao cabo no final desta história, o senhor João vai ter que abandonar os palcos.
Com a força que caracteriza este grande actor, ele vai baralhando a sua gente, aprofundando a sua imagem de vitima, acusando tudo e todos como sendo eles os responsáveis deste seu final algo inesperado, uns porque, diz ele, não lhe dão cobertura outros por serem a causa do problema.
Com os seus dotes de artísticos, no final do "treiler", o senhor João,  ainda vai  sair de cena pela porta larga, talvez até carregado em ombros, embora a cantar a célebre cantiga estudantil cujo refrão é "…vou sair de mansinho…não bebo mais daquele vinho".
Moral da história, e ainda em época de vindimas, devemos todos fazer fé no ditado popular que diz "tão ladrão é aquele que vai à vinha como aquele que fica ao portal".
Mesmo no final acaba tudo numa grande confusão onde não se consegue discernir o essencial da história, voltando, mais uma vez e estrategicamente, os atores da sua linhagem, a  adiarem o final esperado e merecido.
Jorge Moreira, Texto Publicado no Diário de Coimbra

Dr. Alberto João Jardim


Não é lógico, nem responde a ninguém a, a ligeira e taxativa resposta que muitos políticos dão quando indagados sobre as prioridades e respectivas necessidades das suas obras, bem como dos seus gastos ou investimentos. Assim costumam dar como resposta simples e absoluta, que a sua acção “foi uma questão de opção”. Provavelmente ainda podem proferir outros eventuais argumentos do mesmo calibre, sempre com o objectivo de justificador dos seus actos.
Nunca no entanto se ouviu argumentar ou dar como resposta, que algum tipo de investimentos exagerados e descontrolados, que deram em “buraco”, fossem feitos por causa de outros, como forma de fugir a uma politica então seguida.
Talvez este seja um novo argumento de alguns para justificar actos injustificáveis cometidos, creio que por senilidade.
Acho ainda impressionante, algumas pessoas, entendam como válido este argumento duma ligeireza sem precedentes, talvez por ser inédito, por ser surpreendente ou por vir donde vem.
Depois do toque de rebate do sinos do ministro das finanças a braços com a grave situação económica da Madeira, que é urgente colmatar sendo para isso necessário encontrar rapidamente um plano de austeridade.
Veio ainda dizer o presidente da Região Autónoma de Madeira num outro discurso feito para os seus conterrâneos e difundido pela comunicação social, que ninguém o podia responsabilizar por esta evidência.
Posta esta, muito má, situação financeira daquela Ilha e depois de mais este bafejo do Dr. Alberto João que a levou por este caminho, coloco a pergunta que muitos Portugueses fazem: Quem foi, então, o responsável por tamanho e complicado défice das finanças Madeirenses? Será que de novo a culpa morre solteira?
A outra simples pergunta que repetidamente os Portugueses têm feito, sempre nos casos de má administração como este, bem como nos casos de corrupção, é a de quem vai pagar mais este caso? Mais este buraco?
Julgo que a resposta a esta ultima pergunta é aquela que sempre tem acontecido aos Portugueses, mais uma  vez, vão ter que pagar as irresponsabilidades, os erros e os desvarios destes senhores.
Sou acompanhado por muita gente quando continuo a acreditar, que todos aqueles que administram dinheiros públicos deviam ser controlados por uma entidade independente e idónea no exercício da sua administração. Desta forma seriam, por esta entidade avaliados no seu desempenho. Eram pois evitados maus investimentos, investimentos de fachada, os investimentos estratégico e ainda seriam severamente punidos, como o comum Cidadão, nos casos em que metem a mão nos dinheiros públicos.
Continuando com os seus dotes de bom orador, mas vazios de conteúdo, o Dr. Alberto João Jardim, sob a eventual desculpa do seu cansaço e da sua bonita mas já avançada idade, para as lides politicas, veio outra vez a público contestar, quase insultar, um badalado economista da nossa praça que disse, do mesmo modo, publicamente, a propósito de défice criado na Madeira, que se os políticos fossem responsabilizados por estas situações este senhor já não era politico à mais de vinte anos.
Todos estes desabafos verborreicos do Dr. Alberto João, parecem não ter feito a devida e proporcional moça no seu PSD do Continente, dado o silêncio dos seus pares do governo. No entanto chegou à Europa e foi detectado pela toika, uma derrapagem que vai implicar um agravamento dos impostos para o ano de 2012.
Agora no seu estilo impetuoso, próprio dum individuo pesporrente, depois de por todos os lados, ser acusado de esconder as dimensões da tal divida/buraco, vem queixar-se da falta de solidariedade por parte do PSD do Continente e pede ajuda ao Povo Madeirense, armando-se em vitima.. Não se pode queixar da falta de solidariedade especialmente, por parte do seu companheiro de partido Dr. Guilherme Silva. Do mesmo modo, não se pode queixar do seu partido quando este faz silêncio em redor dos seus discursos, verborreicos e pesporrentes.
No final, para tapar mais este tsunami orçamental, voltam a subir os impostos, voltamos a ter derrapagens, voltamos a não poder confiar num governo mentiroso , voltamos a não cumprir com, apregoado, memorando da troika e por tal, parece que, temos de aceitar, outra vez, as interferências externas, voltamos a não poder confiar nos políticos nem nas suas politicas irresponsáveis e irracionais. Por tudo isto, de novo, vamos pagar aquilo que não fizemos. Até quando vamos admitir tudo isto?
Penso que a caminhar desta forma com os nossos brandos costumes, vamos perder a nossa soberania e a nossa identidade Política, vamos ser um mais um país da Europa em vez de um País Europeu.

Jorge Moreira, Texto Publicado no Diário de Coimbra

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Resumo 1º Debate Moção A - 4 Outubro


Resumo do primeiro debate de apoiantes da Moção A sobre "A Resposta do BE à Nova Situação Política e à Ofensiva da Austeridade e da Bancarrota", elaborado pelo Fabian Figueiredo e Miguel Cardina.

Poderão encontrar mais sobre informação sobre estes debates a nível nacional neste blog: http://debate-a.weebly.com/

O próximo debate, intitulado "A esquerda socialista face à crise política, económica e financeira da UE e do sistema capitalista internacional. Que caminhos para um europeísmo de esquerda?" ocorrerá no dia 29 de Outubro, Sábado, pelas 21:30, na sede Distrital.

Debate de Apoiantes da Moção A
 A Resposta do BE à Nova Situação Política e à Ofensiva da Austeridade e da Bancarrota
Dia 4 de Outubro de 2011, 21H30


Uma preocupação que atravessou várias intervenções teve a ver com o facto do Bloco ter ou não ter uma alternativa global ao programa da troika. Salientaram-se propostas políticas que configuram essa lógica de alternativa, como o imposto sobre as grandes fortunas, a taxação das mais-valias bolsistas, a renegociação e a auditoria à dívida. Acentuou-se o acerto destas propostas, algumas delas ainda não totalmente evidentes durante o período eleitoral – a questão da renegociação e da auditoria – mas que têm vindo a ganhar relevo. Falou-se também da necessidade de explicitar melhor estas propostas e de conseguir mostrar melhor a relação entre elas.
Houve quem explicasse os maus resultados do Bloco em função da incapacidade em fazer passar a mensagem, sendo necessário trabalhar noutros canais de comunicação. Por outro lado, notou-se também o carácter pouco mobilizador do programa, que não parecia ter um “programa mínimo” exequível, apesar de falar de “governo de esquerda”. 
A questão da alternativa à troika, levou ao debate sobre a linha divisória entre troikistas e não troikistas. A alguns presentes a linha divisória pareceu acertada e operacional, uma vez que a política hoje está claramente marcada entre um PS que defende o programa da troika e um governo PSD-CDS que quer ir além do programa da troika. A outros  pareceu uma análise que do ponto de vista táctico apresenta limitações, já que dificulta o diálogo com sectores socialistas, de esquerda ou populares que, não tendo votado no Bloco ou no PCP, podem agora vir a engrossar uma necessária frente anti-neoliberal.
Falou-se também da necessidade do Bloco aprofundar o programa de forma a procurar dar uma resposta mais sistemática à ofensiva da austeridade. Ela terá de possuir uma forte dimensão europeia, até porque a própria lógica da austeridade, tendo especificidades nacionais, é sobredeterminada em termos europeus. O Bloco acerta quando, interpretando a crise como uma transferência brutal da riqueza do trabalho para o capital, entende a sua dimensão europeia. No entanto, talvez exista um défice de ferramentas para identificar isso. Ao lado de uns “Donos de Portugal” necessitaríamos de uns “Donos da Europa”. E de intensificar acções internacionais com partidos, sindicatos e movimentos de esquerda, o que se tem mostrado muito difícil. 
Sendo o tema do segundo debate, as questões europeias acabaram por estar muito presentes na assembleia. Houve quem considerasse que o Bloco tem uma posição federalista ainda que não a denomine, desde logo porque ela hoje aparenta ser impopular. Houve quem alertasse para os problemas das formulações federalistas. Em comum, no entanto, a noção de que o Bloco deve defender um modelo social europeu e lutar pela democratização das instâncias europeias. As questões relacionadas com a saída ou não do euro também ocuparam algum espaço no debate. As maiores reservas a esta proposta basearam-se na impopularidade que esta tomada de posição poderia ter e o acantonamento político em poderia colocar a esquerda portuguesa, por outro lado, argumentou-se que é a única forma de manter o Estado Social.
Questionou-se também alguma adopção por parte da esquerda em geral de vocabulário que nada tem de neutro. É o exemplo do “crescimento” como solução para os problemas nacionais. Houve quem notasse para o facto de que ele não está necessariamente relacionado com a distribuição de riqueza, houve quem notasse a insuficiência de um discurso ecologista crítico do crescimento. As chamadas questões pós-materialistas também este presente na assembleia, com discussões sobre a sua pertinência em tempos de crise ou, em alternativa, a necessidade de saber introduzir estas temáticas – como a ecologia, os direitos das minorias ou a crítica ao consumismo – no discurso político e económico do Bloco.


Hugo Dias